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Coronavírus: loteamento da praia deve ser feito por ‘sócio’ da prefeitura

Dona de 150 estações de alongamento na orla, empresa Mude repassa 20% do que arrecada com patrocinadores aos cofres do município

Por Cleo Guimarães Atualizado em 11 ago 2020, 15h10 - Publicado em 11 ago 2020, 13h33

Salve mudanças de última hora (ou um veto da Procuradoria-Geral do Município), a empresa que vai operar o projeto-piloto que irá lotear a faixa de areia para evitar aglomerações na Praia de Copacabana é uma velha conhecida da prefeitura. Segundo VEJA RIO apurou, a Mude – dona de 150 estações de alongamento na orla da cidade e plataforma de “wellness media” que faz agendamento via aplicativo para aulas de ioga, tai chi chuan e outros esportes ao ar livre – foi a escolhida pelo prefeito Marcelo Crivella para botar em ação o projeto.

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A Mude é sócia do governo municipal na exploração das estações de alongamento das praias. Vinte por cento do que é arrecadado por anunciantes nestes pontos (Unimed, Santander e Nestlé são alguns dos patrocinadores) vão para os cofres da prefeitura. É o mesmo “termo de parceria” aplicado em parte do mobiliário urbano da cidade por outras empresas, como nos anúncios em pontos de ônibus e relógios.

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Há três anos a Mude tem autorização do município para trabalhar com o agendamento de horários e lugares para a prática de exercícios físicos em pontos como a Praia do Arpoador, Praia de Copacabana, Lagoa, Piscinão de Ramos e Madureira, e pretende replicar a ideia fazendo a marcação de lotes nas praias.

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VEJA RIO apurou que a Rappi, empresa de entrega sob demanda, já está em avançadas negociações para ser a fornecedora das fitas que farão a demarcação dos espaços e da mão de obra para fazer a instalação e a sua retirada diariamente. A Praia de Copacabana deve ser dividida em 260 quadras – cada “lote” terá entre 30 e 50 quadras (cada uma delas com 5 quadrados). A previsão é que haja, em caso de lotação, até 20 mil pessoas por dia nos quadrados. Eles serão ocupados por ordem de chegada e também pelo agendamento via aplicativo.

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A minuta do decreto que oficializa o loteamento das praias da cidade como forma de evitar aglomerações durante a pandemia do coronavírus já está pronta e sua legalidade está sendo analisada pela Procuradoria-Geral do Município. O prefeito depende do OK da PGM para anunciar a medida, que deve ser incluída na sexta fase de flexibilização das atividades no município – a princípio sua divulgação está marcada para esta sexta (14).

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