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Em 10 anos, estado do Rio registrou mais de 50 mil pessoas desaparecidas

Pesquisa do Cesec mapeia a vivência de parentes para registrar casos e conseguir que casos sejam apurados: rotina de descaso e preconceito

Por Da Redação 26 Maio 2022, 13h37

O estado do Rio de Janeiro teve 51.819 desaparecimentos registrados nos últimos dez anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP). Em média, são 5.181 ocorrências por ano ou 431 pessoas desaparecidas a cada mês. Só entre janeiro e abril  de 2022, 1.777 casos foram denunciados por parentes. Esse número é 38,8% maior do que o total de desaparecidos do mesmo período de 2021. E pode ser ainda maior, já que muitos casos sequer são registrados. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2019, o Rio de Janeiro ocupava o sexto lugar em números absolutos de registros de desaparecimentos no ranking de estados brasileiros.

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Segundo pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) divulgada nesta quinta (26), 60,5% dos desaparecidos no estado têm 18 anos ou mais. O estudo “Teia de ausências: o percurso institucional dos familiares de pessoas desaparecidas no estado do Rio de Janeiro” mapeia a vivência de parentes de desaparecidos durante a investigação e o seu desgastante percurso pelas instituições das quais esperam obter respostas, apoios e soluções. Os parentes relatam uma rotina de descaso e preconceito. Por desaparecimento não ser considerado crime, não é prioridade de investigação.

E a única delegacia especializada do estado fica longe das áreas com maiores números de registros, como a Zona Oeste do Rio, a Baixada e a região Niterói-São Gonçalo – é a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte. A unidade abrange apenas o município do Rio, deixando de investigar mais de 55% das ocorrências do Estado. Mesmo que, juntas, a Baixada Fluminense e as cidades de São Gonçalo e Niterói, tenham registrado nos últimos dez anos 38% dos desaparecimentos do estado e 46% dos da Região Metropolitana.

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“Existe um preconceito muito grande quando o registro não é em uma delegacia especializada. Na Baixada Fluminense, por exemplo, o registro é feito na Delegacia de Homicídios. Isso já é uma violência absurda para essas mães, que precisam entrar numa delegacia de homicídios para registrar um desaparecimento“, disse ao G1 a especialista Giulia Castro, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo do Cesec, que entre outras coisas aponta que, apenas nos últimos três anos, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), contabilizou 32 projetos de lei sobre o tema dos desaparecidos. Mas a maior parte não saiu do papel.

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Giulia destacou também que a maioria da população não sabe que o registro imediato de um parente desaparecido é um direito do cidadão e um dever do estado. Muitos agentes públicos ainda divulgam uma orientação que não existe na lei, sobre a necessidade de aguardar 24 horas para fazer o registro de desaparecimento: “Essa orientação de esperar por 24h é uma orientação do imaginário popular, mas nunca existiu de fato. Uma pessoa que convive com o desaparecido sabe que alguma coisa estranha aconteceu se ele não chegar até determinado horário”. Segundo ela, a chance de uma pessoa desaparecida ser localizada nas primeiras horas de buscas é maior.

“A lei da busca imediata não é cumprida até hoje, talvez por falta de interesse da polícia que existe ainda, que encara o desaparecimento de jovens e adolescentes com maus olhos, tem um prejulgamento, achando que estão em boca de fumo”, relatou Luciene Pimenta, presidente da ONG Mães Virtuosas, que divulga nomes e histórias de desaparecidos em busca de respostas.

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