Advogada argentina investigada por racismo alega invasão de apartamento
Advogado de Agostina Páez afirmou ao Jornal La Nacion que turista ainda não colocou a tornozeleira por considerar a medida “severa”
O jornal argentino La Nación publicou nesta terça (20) uma reportagem afirmando que um grupo de falsos policiais teria entrado no apartamento da turista argentina Agostina Páez, de 29 anos. Ela teve o passaporte apreendido após ser investigada por ofensas racistas a um funcionário de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio.
De acordo com Sebastián Robles, advogado da jovem, três pessoas teriam acessado o imóvel dizendo ser agentes de segurança, em uma situação descrita por ele como “muito confusa”. Procurada, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que não realizou nenhuma diligência no endereço citado e afirmou que a instituição “não se deixará intimidar por declarações falsas ou tentativas de suspeitos de descredibilizar o trabalho sério, técnico e comprometido desenvolvido por seus agentes”.
A reportagem argentina também ouviu o pai da advogada, que disse que a filha teme pela própria segurança e que foi orientada a deixar o prédio onde estava hospedada. “Os responsáveis pelo edifício pediram que Agostina saísse do local, que fosse embora dali, e ela atendeu ao pedido. Agora vai alugar outro apartamento. Ela está aterrorizada”, afirmou Mariano Páez.
Até agora, Agostina ainda não cumpriu a decisão judicial expedida no último sábado, determinando o uso de tornozeleira eletrônica. O prazo para a instalação do equipamento é de cinco dias, mas, até o momento, ela não compareceu para recebê-lo. A informação foi confirmada ao Jornal O Globo pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
Ao La Nación, o advogado declarou que a cliente ainda não utilizou a tornozeleira por considerar a medida excessivamente rigorosa. “É muito rigorosa e nos parece uma decisão severa demais. Trata-se de uma investigação em que ainda não há um fato claramente determinado, e o contexto geral do que aparece no vídeo deveria ser analisado”, disse ao jornal argentino.
A advogada teve o passaporte recolhido pelas autoridades e está impedida de retornar à Argentina enquanto a investigação estiver em curso. Como ela ingressou no Brasil utilizando apenas a carteira de identidade, a Polícia Federal foi acionada para evitar que deixe o país com esse documento. Segundo o advogado, Agostina também vem recebendo ameaças. “Ela está muito assustada e sozinha. Recebeu ameaças pelas redes sociais. No momento adequado, apresentará sua defesa”, afirmou.
No dia 14 de janeiro, de férias no Rio, Agostina Páez foi flagrada em um vídeo chamando um funcionário de um bar da Zona Sul de “mono” — termo que significa macaco em espanhol — e imitando o animal. Em depoimento à polícia ela disse que ficou surpresa com a intimação após ter sido acusada de gestos racistas. Segundo ela, o ato seria uma “brincadeira” direcionada às sua amigas.
Natural da província de Santiago del Estero, Agostina Páez é advogada e influenciadora digital. Ela reúne milhares de seguidores nas redes sociais, hoje mantidas privadas ou desativadas. São cerca de 40 mil seguidores no Instagram e quase 80 mil no TikTok.
Caso familiar amplia exposição pública de Agostina Páez
Nos últimos meses, o nome de Agostina passou a circular com mais frequência na Argentina não apenas por sua atuação nas plataformas digitais, mas também em razão de um imbróglio judicial envolvendo sua família. Ela é filha de Mariano Páez, empresário do setor de transportes que responde a acusações relacionadas a casos de violência de gênero, segundo informações do site Info del Estero.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Mariano Páez foi preso em 10 de novembro, sob acusação de agressão física e ameaças contra sua ex-companheira, a advogada Estefanía Budan. Em 15 de dezembro, a Justiça determinou sua libertação mediante o cumprimento de medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com a denunciante e o seguimento de regras de conduta monitoradas de forma permanente. O processo segue em fase de investigação.
Agostina Páez, por sua vez, apresentou uma queixa contra Estefanía Budan, a quem acusou de assédio, difamação e violência digital, tanto em relação a ela quanto à sua irmã. “Acabamos por ser também vítimas dela e, obviamente, das consequências dos atos do meu pai”, declarou em entrevista ao jornal El Liberal.





