Meses antes de ser assassinado, o advogado Rodrigo Crespo comentou com um amigo sobre a possibilidade de abrir um sport bar onde seria possível realizar apostas on-line. Conversas exibidas no júri popular do caso indicam que ele discutia com sócios a criação de uma casa de apostas. O julgamento do assassinato de Crespo começou às 11h50 desta quinta (5) e a sentença deve sair até o fim da noite de sexta (6). Três acusados de envolvimento no crime são julgados.
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Nas mensagens apresentadas durante o júri, Crespo afirma que o empreendimento poderia funcionar sem a necessidade de negociar com bicheiros, pois teria como sócio o dono de um estabelecimento de pôquer em Botafogo. Em uma das conversas, exibida durante o julgamento, ele afirmou que não seria preciso falar com nenhum bicheiro porque o possível parceiro teria um padrinho e trataria diretamente com ele.
À época das mensagens, os pontos do jogo do bicho na Zona Sul passavam por uma mudança de comando: saía Bernardo Bello, que dominou a região por anos como representante da família Garcia, e entrava Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, preso na última semana.
O delegado Rômulo Assis, responsável pela investigação, afirmou que a apuração encontrou elementos que indicam o interesse de Crespo em entrar no ramo de apostas on-line. Segundo o Ministério Público, essa disputa teria sido a motivação do assassinato.
Um sobrinho da vítima também prestou depoimento e relatou o momento do crime. Segundo ele, um carro branco parou ao lado do veículo em que estavam, um homem desceu e disparou contra Crespo. O sobrinho contou que se jogou no chão e ficou agachado, afirmando que tudo aconteceu muito rápido. De acordo com ele, o advogado tinha o objetivo de se tornar a principal referência em regulamentação de apostas esportivas no Rio.
Rodrigo Crespo foi morto a tiros em fevereiro de 2024 na Avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio, em frente ao escritório do qual era sócio. O delegado Rômulo Assis, da Delegacia de Homicídios, afirmou que o carro usado no crime era de uma locadora que alugava para o bicheiro Adilsinho: no dia 9 de abril de 2024, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra ele relacionados à morte de Crespo.
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São julgados pelo crime Leandro Machado da Silva, conhecido como “Cara de Pedra”, policial militar que, segundo as investigações, providenciou os carros usados no assassinato; Cezar Daniel Mondego de Souza, o “Russo”, apontado como responsável por monitorar a vítima; e Eduardo Sobreira de Moraes, que teria dirigido o veículo usado para acompanhar os passos de Crespo antes do crime.
Os três se tornaram réus em abril de 2024, quando a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público. Na decisão, Leandro foi afastado da Polícia Militar. De acordo com as investigações, os acusados se encontraram antes e depois do crime, inclusive nas proximidades do batalhão onde o policial trabalhava.
A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta ainda que Crespo vinha sendo monitorado desde outubro de 2023. Anotações com as placas dos veículos utilizados por ele foram encontradas no celular de um dos suspeitos no dia em que a vítima participou de uma festa em Ipanema.
O atirador, que disparou contra Crespo pelas costas, ainda não foi identificado pelos investigadores. O Ministério Público sustenta que o homicídio foi cometido em emboscada e com o uso de arma de fogo de uso restrito, uma pistola calibre 9 milímetros.
Uma quarta pessoa também foi identificada como participante do crime: Ryan Patrick Barboza de Oliveira. Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, ele ajudou a monitorar os passos de Crespo, inclusive no dia 26 de fevereiro de 2024, quando o homicídio aconteceu. A partir da análise do telefone do suspeito, a polícia concluiu que Ryan acompanhou a vítima e permaneceu no Centro até por volta das 11h da manhã do dia do crime, sendo posteriormente substituído por Cezar Daniel Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes.
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Ryan foi preso por participação em outro homicídio atribuído ao mesmo grupo, o assassinato do dono do bar Parada Obrigatória, Antônio Gaspaziane Mesquita Chaves. Ele não será julgado neste júri. Ao todo, são esperadas cerca de 20 testemunhas, entre acusação e defesa.
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