“A violência e a desordem impactam tudo”

Em seu segundo mandato, o vereador Rogério Amorim fala sobre os desafios da cidade e sua trajetória na política carioca

Por Redação 27 mar 2026, 10h28 •
Rogério Amorim
 (Vereador Rogério Amorim. Luciola Villela/Reprodução)
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  • Neurocirurgião, professor universitário e vereador, Rogério Amorim cumpre seu segundo mandato na Câmara do Rio conciliando a atuação política com a rotina na medicina. Formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e mestre em Neurociências, construiu sua carreira no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, onde leciona e já chefiou a clínica cirúrgica. O vereador chegou ao Legislativo em 2020, após maior engajamento no debate público a partir de 2018. Em 2022, integrou o Executivo estadual ao assumir a Secretaria de Defesa do Consumidor. Reeleito em 2024, atualmente lidera o Partido Liberal (PL) na Câmara, defendendo pautas ligadas à segurança, à educação e à família. Em entrevista a VEJA Rio, o vereador fala sobre sua trajetória, os desafios da cidade e as prioridades do mandato.

    Como surgiu a vontade de entrar para a política? Nunca tive a pretensão de ser político. Sempre me interessei por política como cidadão, acompanhando e debatendo mais no meu círculo. Em 2018, com a mudança de clima no país, passei a me envolver mais, principalmente nas redes, defendendo pautas em que acredito e ajudando meu irmão, Rodrigo Amorim, que já estava na vida pública.

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    O que levou a dar mais um passo e se candidatar?

    A virada veio quando ele me chamou, já pensando nas eleições de 2020, e sugeriu que eu fosse candidato. A princípio, não me via nesse lugar. Minha preocupação era conciliar com a medicina, que é minha vocação, algo que nunca quis abandonar. Conversei com minha família, especialmente com minha esposa, e essa foi uma condição desde o início: seguir exercendo a medicina. Entendi que isso, inclusive, me dá independência nesse meio. Entrei sem planejamento de carreira política, mas descobri que gosto do que faço e acredito que posso gerar impacto real na vida das pessoas.

    E como é, na prática, conciliar a medicina com a política? Exige muita disciplina. Eu durmo pouco há anos, desde a época de estudo para medicina, e acabei me acostumando com essa rotina. Hoje, reduzi a carga horária, mas sigo atuando como neurocirurgião. Muitas vezes saio da Câmara e vou direto operar à noite. É uma rotina intensa, mas possível quando há organização e apoio, tanto da equipe na medicina quanto da minha família. Eu acredito muito nisso: quando você quer fazer algo de verdade, você encontra tempo.

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    Quais são hoje os principais desafios da cidade? O principal problema do Rio, hoje, é a violência e a desordem. Isso impacta tudo: saúde, educação, economia. A escola deixa de funcionar por causa de operação, o posto de saúde é fechado, e o carioca vive com medo de ir e vir. Claro que a educação está na raiz de muitos problemas, mas não dá para esperar gerações para resolver.

    É preciso agir no curto, médio e longo prazo. Hoje, a violência afeta diretamente a qualidade de vida e também afasta investimentos, já que ninguém quer abrir empresa numa cidade onde há insegurança constante.

    E por onde passa a solução para esse cenário? Não precisa reinventar a roda. O que funciona em outros lugares passa por aplicação efetiva da lei e presença do Estado. Hoje, a polícia prende, mas muitas vezes o criminoso volta rapidamente para a rua. Isso desestimula o próprio trabalho das forças de segurança. Sem um endurecimento das leis e o cumprimento real das penas, a gente continua enxugando gelo. Ao mesmo tempo, cada esfera precisa assumir sua responsabilidade. O município, por exemplo, tem papel importante no ordenamento urbano e na presença nas ruas. Iluminação, conservação e atuação da Guarda Municipal fazem diferença na sensação de segurança.

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    Quais você considera suas principais ações neste mandato? Tenho muito orgulho da minha independência. Voto com o governo quando acho que o projeto é bom para a cidade, mas também me posiciono quando discordo. Não faço oposição por fazer. Atuei, por exemplo, na discussão do orçamento, pressionando para que mais recursos fossem destinados diretamente à saúde, com menos margem de manobra para uso livre pelo Executivo. Também defendo pautas ligadas à vida e ao combate às drogas, que considero centrais. Além disso, valorizo muito o trabalho de fiscalização, que é um dos papéis principais do vereador. 

    Há algum projeto específico que você mais celebrou? Um deles é voltado à fibromialgia, uma causa que me toca pessoalmente. Conseguimos avançar no reconhecimento da doença, com a criação de uma carteirinha para os pacientes. Pode parecer simples, mas isso ajuda no dia a dia, desde prioridade em atendimento até dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Também contribui para gerar dados e ampliar o debate público. A partir disso, a própria Secretaria de Saúde passou a se mobilizar para estruturar melhor o atendimento, o que considero um avanço importante.

    Como você define a função de um vereador? Acho que não é função do Legislativo fazer zeladoria, como tapar buraco, isso é do Executivo. Nosso papel principal é legislar, definir o orçamento e fiscalizar o uso do dinheiro público. Quando a política se reduz a pequenos serviços, se perde o que realmente impacta a cidade. O foco precisa estar em decisões estruturais e no acompanhamento de como os recursos estão sendo aplicados.

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    E como você vê seu futuro na política? Vejo a política como uma missão que acontece em paralelo à minha vocação principal, que é a medicina. Hoje, meu foco é continuar exercendo o mandato de vereador e defendendo as pautas em que acredito. Não descarto outros caminhos no futuro, como uma candidatura a deputado, mas isso depende do contexto e das decisões do grupo. Se houver essa necessidade, estou preparado. De forma geral, sigo na política enquanto acreditar que posso contribuir e representar as pessoas que se identificam com essas pautas.

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