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Patricia Lins e Silva Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Educação

Professor, profissão essencial

Em 15 de outubro se comemora o Dia do Professor, um profissional marcante na vida de todos, desde que passamos a frequentar escolas.

Por Patricia Lins e Silva - 14 out 2020, 18h49

         Em 15 de outubro se comemora o Dia do Professor, um profissional marcante na vida de todos, desde que passamos a frequentar escolas. E todos devem ter direito a ter um professor, que é quem mostra o caminho fascinante do conhecimento.

         O professor da Educação Básica é testemunha do início das nossas vidas e acompanha nosso crescimento e desenvolvimento até atingirmos a idade adulta. É enquanto frequentamos a Escola Básica que passamos por todas as grandes transformações das estruturas mentais, sociais, físicas  e emocionais da nossa infância e adolescência.

         A professora da Escola de Educação de Harvard, Meira Levinson, reconhece a função do professor como de inegável importância social, mas manifesta justa surpresa com a falta de reconhecimento das exigências intelectuais da profissão. Ao professor, não basta saber sobre sua área de especialização, pois precisa transitar por muitas áreas de conhecimento; estuda pedagogia, com suas sendas metodológicas, didáticas, filosóficas, históricas etc.; tece uma dinâmica e uma cultura positiva em sala de aula para favorecer a aprendizagem; planeja aulas e reflete antevê prováveis mal-entendidos que possam surgir com o tema estudado e concebe a melhor forma de diagnosticá-los e resolvê-los; cria situações instigantes que propiciem novas ideias dos alunos; escolhe bem as palavras que vai usar nas sugestões de melhorias que escreve no texto de um estudante para não inibi-lo.

Quando um aluno se aproxima e conta um caso pessoal, se o professor percebe a necessidade de intervenção de alguma área de fora das disciplinas, medita sobre a melhor ação para que a criança ou jovem receba ajuda e não sinta sua confiança traída. O professor consegue refazer um planejamento no escasso tempo do intervalo entre duas aulas porque percebe que os alunos estão menos – ou mais – preparados do que imaginava; estuda psicologia do desenvolvimento, psicologia social e política – tanto micropolítica, nas relações de sala de aula e da escola, quanto macro política, ao lidar com a vida, com a política interna dos grupos da escola, da própria instituição e da posição da escola nas várias comunidades; organiza suas turmas, desenvolve o programa anual e, ainda, lida com o eterno nó da educação escolar que é a avaliação por notas, com provas.

         A cada dia, o professor se depara com o mundo de esperanças, tristezas, alegrias e curiosidade que chega à escola junto com as crianças e jovens. A algaravia da meninada logo instala um ambiente em que a vida fervilha com intensidade em todas as suas instâncias – cognitivas, sociais e emocionais.

         Ao logo do tempo, o professor adquire uma experiência que lhe permite  arbitrar, resolver e decidir as muitas questões que surgem no cotidiano escolar, com discernimento e sensatez, além de conhecimento e habilidade.

         Nesse dia 15 de outubro, Dia do Professor do ano mais surpreendente e impactante de nossas vidas, queremos prestar uma homenagem especial para celebrar a coragem e a capacidade que os professores tiveram diante do que parecia impossível: inventar um outro tipo de escola, completamente diferente da escola presencial, rapidamente, sem nunca ter tido essa experiência. Em uma semana, mostraram-se capazes de mudar seus paradigmas e solucionar o problema do fechamento das escolas com garra e criatividade. Desde março, os alunos puderam ter aulas, on-line, ou – por falta de acesso às ferramentas digitais – com outro tipo de amparo, mas a maior parte deles contou com a assistência dos seus professores.

         Ser professor é ter muitas perguntas e nenhuma resposta definitiva, o que, diz Meira Levinson, é o que torna a profissão uma das mais intelectualmente empolgantes.

         Parabéns, professor, você é essencial.  

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