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Patricia Lins e Silva Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Educação

As crianças na pandemia

O isolamento social vai cobrar um preço emocional de todos nós. As crianças e adolescentes devem ser amparados nesse período

Por Patricia Lins e Silva - Atualizado em 24 abr 2020, 20h39 - Publicado em 24 abr 2020, 18h45

‘Nunca mais vou brincar com minhas amigas’, lamentou Maria, com 5 anos, no vigésimo dia de confinamento. Já Olivia, adolescente de 15 anos, está cada dia mais triste porque deseja encontrar os amigos e já se vai o 30º dia de confinamento.

      Essa prisão involuntária, se é um fardo para os adultos, também é muito pesada para as crianças e jovens. É de se prever algum impacto psicológico e físico.

      No momento, a vida que levam é pouco saudável: não saem para tomar sol, brincar e passear ao ar livre, não interagem com amigos da mesma idade, não praticam atividades físicas e é provável que estejam jogando muito tempo nas telinhas e assistindo a filmes, dormindo tarde e comendo irregularmente, em quantidade e qualidade.

           Manter uma rotina cria uma sensação de estabilidade porque ajuda a tornar o cotidiano previsível. A escola on-line é um marco importante nessa rotina porque liga as crianças a uma realidade conhecida e experimentada, mesmo que na plataforma virtual, o que é um fator estabilizador. Contar com as aulas diárias baliza o tempo atual, que corre diferente daquele de antes do isolamento.

         De qualquer modo, a situação é estressante e está se prolongando. A frustração, o tédio, a falta de encontrar presencialmente amigos e professores, talvez o medo da doença, obtendo informações mal compreendidas e, para muitos, ainda, a ameaça da família ter perda financeira, tudo isso é motivo de preocupação e ansiedade para os mais jovens.

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      Os pais são as pessoas mais próximas para perceberem se estão bem e conversar abertamente com os filhos sobre as dificuldades e conforta-los no isolamento e na exposição constante a notícias relacionadas à pandemia. Os medos podem ser aliviados numa conversa franca e afetuosa. No confinamento aparece a oportunidade para ampliar a interação entre pais e filhos e envolver as crianças nas atividades da família. Os laços familiares ficam fortalecidos e as necessidades psicológicas da criança atendidas.

      Os pais são importantes como modelo de comportamento saudável durante a pandemia. Manter a calma e a organização dos dias mostra para a criança que o adulto toma conta e que tudo vai dar certo, apesar do tempo de estranhezas.

      Monitorar o ânimo das crianças não significa desrespeitar sua identidade e necessidades. Elas também precisam de seus momentos sozinhas. É preciso confiar na sua capacidade de decidir e resolver muitas coisas.

       A pandemia vai cobrar um preço emocional de todos nós. Vamos estar atentos para amparar as crianças e os jovens de modo que as consequências de eventuais problemas não perdurem.        

       A pandemia veio deixar claro que essa geração terá que saber lidar com as incertezas que, certamente, a realidade trará. Seu tempo de adultos será vivido num mundo instável, em que estarão sempre se adaptando a mudanças imprevistas e precisarão reaprender o que sabem e aprender coisas diferentes em intervalos de tempo curtos.  

      No momento, vamos apoiar as crianças e os adolescentes, num ambiente o mais equilibrado possível, para que a pandemia tenha impacto insignificante sobre eles.

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