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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Seu cabelo está caindo muito na quarentena?

Queda capilar: como prevenir e descobrir se os fios estão caindo além do normal

Por Daniela Alvarenga Atualizado em 19 abr 2021, 15h09 - Publicado em 4 jun 2020, 11h52

Uma das reclamações que mais cresceram nas consultas durante o período da quarentena foi em relação à queda capilar. Muitas pessoas estão com a percepção de que os fios estão caindo num volume maior que o normal. É verdade que durante a pandemia vivenciamos uma série de fatores que podem afetar a saúde do couro cabeludo, sobre os quais vamos tratar nesta coluna, mas em muitos casos não passa de uma impressão.

O cabelo tem três fases: nasce, cresce e cai. É normal perdermos em média 100 a 120 fios diariamente. Em algumas fases da vida, como na menopausa, isso se acentua porque o folículo piloso é muito sensível às alterações hormonais. Ocorre também em alguns períodos do ano com menor incidência de sol, como outono, que um percentual pequeno da população pode ser atingido pelo eflúvio outonal sem uma causa bem definida. Além disso, especialmente agora com o isolamento social, as pessoas estão, em geral, menos expostas à luz solar, importante fator para a produção de melanina, o que interfere na cor e no brilho dos cabelos, dando a impressão de um aspecto menos saudável também.

Uma das maneiras mais simples de sabermos se devemos nos preocupar com a queda capilar é fazer o teste da tração. Segure seu cabelo com uma das mãos como se fosse fazer um rabo de cavalo e passe os dedos da outra mão, puxando em relação à ponta. Se saírem menos que seis fios, não há motivo para se preocupar. Outra maneira de observar se seu cabelo está caindo demais é ver se esta queda que ocorre no dia a dia está acontecendo de maneira homogênea, em toda a cabeça, ou se está localizada, criando áreas ou placas em que se observa falhas, por exemplo. Se fez os testes e está preocupado, consulte seu dermatologista para investigar se é uma queda normal ou se pode ser uma doença, como alopécia androgenética ou eflúvio telógeno crônico.

Na quarentena, nossa impressão de que os fios estão caindo mais aumentou por estarmos o dia todo no mesmo ambiente (em casa) e por estarmos, em muitos casos, cuidando da limpeza da casa, e assim observando melhor o volume de fios que cai ao longo do dia.

As causas da queda capilar precoce são muitas e devem ser analisadas em conjunto. Ela pode ocorrer por fatores emocionais, nutricionais, hormonais, genéticos, por processos inflamatórios e até por doenças autoimunes. Na quarentena, algumas destas causas estão sofrendo um desequilíbrio considerável, entre elas:

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Emocionais e hormonais – O grau de estresse e ansiedade aumentou muito na pandemia, o que gera um desequilíbrio hormonal com a elevação dos níveis de cortisol, que acelera o ciclo metabólico do folículo piloso.

Nutricionais – Além disso, muitas pessoas não estão conseguindo seguir uma alimentação equilibrada e passaram a consumir mais alimentos com alto índice glicêmico, como bolos, doces, massas e pizzas, o que interfere na saúde dos fios. Houve um aumento também no consumo de antidepressivos, que podem ter como efeito colateral a queda capilar.

Como prevenir a queda capilar? Mantenha uma alimentação equilibrada, com consumo de minerais, vitaminas e proteínas. Tente reduzir os níveis de estresse e ansiedade com uma rotina de sono e exercícios. Evite dormir com o cabelo molhado. Não fique com o cabelo preso o dia todo, porque a tração pode contribuir para acentuar a queda. Procure lavar a cabeça diariamente para evitar inflamações e manter o controle da oleosidade. Se já tem uma rotina capilar prescrita por um dermatologista, tente mantê-la com disciplina. Quem tem alguma tendência a caspa, deve alternar um xampu específico, que vai fazer uma limpeza mais profunda, com outro de nutrição.

A boa notícia é que o tratamento para queda capilar evoluiu muito na última década. Hoje podemos estimular com o uso de xampu, medicamentos tópicos, orais e suplementação em casa aliados à aplicação de terapias capilares no consultório ou clínica a base de laser fracionado, capacetes com luzes de LED, mesoterapia (com injeções locais), microagulhamento com drugdelivery e MMP (Microinfusão de Medicamentos Pericutânea). Além disso, houve uma evolução também nos transplantes e implantes capilares.

Portanto, cuide do seu couro cabeludo e se perceber uma queda maior que a normal, procure um médico. Quanto antes tratamos a alopécia, melhores são os resultados

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