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Seu Jorge: “Hora de voltar para casa, para minha terra, minhas lutas”

Após dez anos nos Estados Unidos, consagrado na música e no cinema, cantor fala da felicidade de atuar e da rotina ao lado do pequeno Samba

Por Melina Dalboni
18 ago 2023, 07h00

A rotina de Seu Jorge anda diferente desde que nasceu seu caçula, Samba, em janeiro. Para se fazer mais presente, ele decidiu investir em um estúdio na garagem de casa, em Barueri (SP), de onde tem feito trabalhos de música e audiovisual. “Não quero deixar que a vida do Seu Jorge atrapalhe a vida do Jorge Mário, nem do meu filho, sobretudo neste começo”, sussurra o cantor carioca de 53 anos, ao passar pelo quarto do bebê. Seu Jorge nasceu em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, saiu de casa aos 19 e foi morador de rua por alguns anos. Batalhou até deslanchar com o grupo Farofa Carioca, sucesso nos anos 2000. Após uma temporada de dez anos nos Estados Unidos, consagrado na música e no cinema, ele está em cartaz com o filme Asteroid City, o 17º de sua carreira, e aguarda a estreia de duas séries: How to Be a Carioca (Star+) e Anderson Spider Silva (Paramount+). Ainda faz turnês com três shows — um autoral, outro de samba com Alexandre Pires e um terceiro de bossa nova, com Daniel Jobim, que apresenta dia 1º no Qualistage, na Barra. Em outubro, embarca para Nova York para cantar novamente com Daniel no espetáculo A Grande Noite — Bossa Nova, dia 8, no Carnegie Hall, em que recebem convidados como Roberto Menescal e Carlinhos Brown, em tributo à histórica noite de 1962 que trouxe Tom Jobim, João Gilberto, Sérgio Mendes e Carlos Lyra aos holofotes globais. Na conversa com VEJA RIO, Seu Jorge fala de como se descobriu feliz atuando e da rotina ao lado do pequeno Samba, o quarto de sua prole, para quem canta todos os dias Sem Samba Não Dá, de Caetano Veloso.

De onde veio a ideia de fazer esse show de bossa nova em Nova York? Acho bacana poder aproximar a bossa nova das novas gerações. Quando você canta Eu Sei que Vou Te Amar e restaura a presença de Vinicius de Moraes, isso nos traz de volta a beleza. Eu preciso me conectar a ela. E a música brasileira tem esse lugar. Parafraseando Vinicius, beleza é fundamental. Estou 100% de acordo.

Qual será o repertório do show no Carnegie Hall? Optamos por tentar manter o repertório do show de 1962 e lembrar aquelas músicas que nosso mestre Tom julgou as mais importantes.

Como foram as gravações de Asteroid City, com Tom Hanks e Scarlett Johansson? O Wes (Anderson, o diretor) fechou um hotel para ficarmos todos juntos e ele sempre organizava uma mesa enorme para o jantar. Numa noite dessas, peguei o violão e levei um som. O Wes me chamou: “Pelo amor de Deus, hoje é terça-feira, tem vinho. Se você começar a cantar, ninguém mais vai parar. Toca só sexta e sábado” (risos).

O que tocou? Jorge Ben Jor. É uma coisa maluca como contagia. Não tem uma pessoa no planeta que não conheça Mais que Nada. Estávamos todos sentados, comecei a tocar e todo mundo cantou junto: “O ariá raiô obá obá obá…”.

Quando decidiu que voltaria a morar no Brasil? Na pandemia tive tempo de pensar sobre minha vida. E me veio à cabeça que, se tivesse entrado na conta das vítimas da Covid, não seria enterrado no meu país. Foi quando vi que era hora de voltar para casa, para minha terra, minhas lutas. Preciso do Brasil, ainda mais agora, com um bebê pequeno.

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“Acho bacana poder aproximar a bossa nova das novas gerações. Quando você canta Eu Sei que Vou Te Amar e restaura a presença de Vinicius de Moraes, isso traz de volta a beleza”

Qual a diferença de ser pai aos 30, quando nasceu sua primeira filha, e aos 53? Aprendi um monte de coisas com minhas filhas e uma delas é que passa rápido. Desta vez, eu não quero deixar passar nada. Esse é um dos motivos de eu fazer esse estúdio em casa e estar mais presente.

A rotina com o bebê anda puxada? Não vou a muitos lugares, até porque não é justo com a Karina (Barbieri, sua mulher). Ela está há seis meses amamentando, 24 horas por dia, extremamente dedicada. Eu procuro acompanhar o relator (risos).

Como o bebê reage ao ouvir o pai cantando samba? Ele já foi mordido pelo bichinho da música. É um garoto cheio de saúde, não chora para nada, brinca muito. Sinto que o Samba veio para dar novo significado a minha vida aos 53 anos. Nós passamos os primeiros cinco meses sem babá, firmamos um vínculo forte. Canto o dia inteiro Sem Samba Não Dá, do Caetano. Ele fica todo serelepe.

Entre seus variados hobbies, você já disse que adora pintar e fazer tricô e crochê. Tem exercido essas habilidades? Estou para fazer um cueiro para o meu filho, umas coisas de enxoval de berço e toalhinha de praia também.

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E dá tempo? Tenho dificuldade para dormir. Durmo só umas quatro horas por noite.

Voltou mesmo a fumar? Sim. Fiquei três anos e meio sem cigarro, mas voltei fazendo um filme em que meu personagem fumava. Estou nessa batalha, tentando reduzir, parar de novo.

É a favor da legalização das drogas, um assunto agora em pauta? Vivi numa sociedade que está bem adiantada nesse debate, principalmente na Califórnia. Sou a favor da descriminalização no caso do Brasil, porque temos um quadro de violência e encarceramento acintoso, com prisões indiscriminadas e seletivas.

Quer seguir atuando? Eu gosto muito desse mundo do set. É minha profissão também. Dou valor à carreira que construí no cinema.

E a música, ficará em segundo plano? Ela é muito forte e presente na minha vida, mas o cinema tomou a mesma grandeza. Não é só pra mim, mas na percepção das pessoas também. Aliás, o público tem visto mais filmes novos meus do que lançamentos musicais. Faz um tempo que eu estou para lançar dois discos prontos e não consigo janela. Trabalho é o que não falta.

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