Fernanda Montenegro: ‘Deus tarda, mas não falha’

Aos 95 anos, Fernanda Montenegro é a protagonista de mais um filme, Vitória, que revive um dos grandes casos do jornalismo policial carioca nos anos 2000

Por Fernanda Thedim Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 fev 2025, 06h16
Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro: 'Enquanto eu tiver plateia e coordenação mental estarei em cena' (Ivan Pacheco/Divulgação)
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Fernanda Montenegro parece incansável: no dia 13 de março, ela chega aos cinemas com Vitória. O filme conta a história de uma mulher de 80 anos que, após gravar a rotina de policiais e traficantes na Ladeira dos Tabajaras, denuncia o caso à imprensa. Sua identidade é descoberta, e ela passa a viver sob proteção da Justiça. Antes, no dia 11, com entrada franca para 280 pessoas, a imortal da Academia Brasileira de Letras participará de um recital de poesia, lendo textos de colegas acadêmicos. Mas a grande expectativa é por Ainda Estou Aqui, em que faz uma aparição impactante na última cena. O filme, que colocou o Brasil novamente no Oscar, concorre em três categorias, incluindo a de melhor atriz, com sua filha, Fernanda Torres (a mesma categoria em que ela foi indicada há 26 anos por Central do Brasil). “Deus tarda, mas não falha”, disse em conversa com VEJA RIO.

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Com mais de oitenta anos de carreira, o que a motiva a aceitar um novo trabalho? Sempre aceitei, na minha vida de atriz, personagens não acomodadas.

É o caso de Vitória? Essa personagem luta por uma justiça social, portanto, humana. É uma história verdadeira. Uma personagem não acomodada.

Qual a sensação de ver novamente um filme brasileiro concorrendo ao Oscar? É o “eterno retorno” — de que nos fala o filósofo (Nietzsche). Voltamos sempre: em trinta anos, em 100 anos, em 200 anos. Se ainda existir cinema.

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E como mãe, qual foi o sentimento de ver sua filha indicada na mesma categoria que a senhora há 26 anos? Fernanda Torres é uma atriz extraordinária. Deus tarda, mas não falha.

Tradicionalmente, a comédia é o grande filão do cinema brasileiro. Esse cenário pode mudar com todas essas premiações para um drama? Há certas obras de arte que atraem público. E há certas obras de arte que não atraem público.

Com a repercussão de Ainda Estou Aqui, muita gente descobriu seu nome de batismo. Existe a Arlete Pinheiro e a Fernanda Montenegro? Uma hora eu sou uma, em outras horas sou várias. E me aceito. Eu me comungo. Sou atriz vocacionada. Sou mulher vocacionada.

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Vários atores veteranos, a senhora inclusive, vêm fazendo espetáculos nos teatros com casa cheia… É o eterno teatro. Os atores teatrais — repito: teatrais — reconhecidos pelo que representamos na cultura cênica, desde os gregos, somos, sim, necessários nessa nossa comunhão de seres humanos. A explicação? “A vida é sonho”, diz Calderón de la Barca. No sonho está nossa realidade: palco e plateia.

Pensa em parar? Enquanto eu tiver plateia e coordenação mental estarei em cena.

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