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Amigos de Elke Maravilha negam que ela foi “abandonada” no fim da vida

Revelações de Chico Felitti chocam fãs e causam revolta nas redes. Pessoas próximas contestam versão apresentada pelo jornalista em programa de TV

Por Elisa Torres
16 jan 2026, 15h51 •
Reprodução perfil @falandodeelke
Repercussão: amigos de Elke Maravilha contestam versão de jornalista sobre fim da vida da artista  (Instagram/Reprodução)
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  • Declarações feitas pelo jornalista e biógrafo Chico Felitti durante participação no programa Sem Censura, exibido na quarta-feira (14) pela TV Brasil, provocaram forte repercussão e levaram amigos e pessoas próximas a Elke Maravilha (1945–2016) a se manifestarem publicamente. O escritor e podcaster, autor da biografia Elke: Mulher Maravilha, afirmou que a artista teria morrido no esquecimento e apresentou versões sobre sua origem que foram prontamente rebatidas por quem conviveu com ela. “Ela morreu quase no esquecimento, num apartamento com mais de cem sacos de lixo dentro. Quando foram retirar o que ela tinha, saíram mais de cem sacos de lixo. Alguém que foi tão grande para o Brasil, um farol para tanta gente, ter terminado sem um fim digno”, disse Felitti.

    Durante a sua fala, o jornalista também questionou a versão contada pela própria artista de que ela teria nascido na Rússia. “Isso é mentira. Ela nasceu na Alemanha, durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando o país estava sob o regime nazista”, contou.

    Elke Maravilha
    Elke Maravilha: em entrevista ao Sem Censura, biógrafo da artista contestou a versão do local de nascimento: “Ela nasceu numa cidade pequena da Alemanha, e não na antiga União Soviética” (Buda Mendes/LatinContent/Getty Images)

    As declarações de Felitti provocaram reação imediata de amigos e pessoas próximas da artista nas redes sociais. A advogada e cineasta Solange Maia, amiga íntima de Elke e diretora do documentário curta-metragem “Elke no País das Maravilhas” (2007), afirmou que as informações divulgadas pelo jornalista não são verdadeiras. “Fiquei indignada (…). Como espalhar na mídia uma história tão ridícula e falsa? Elke não morreu no esquecimento. Ela nunca foi entrevistada por ele, nunca foi amiga dele. O apartamento dela era pequeno e não havia possibilidade de centenas de sacos de lixo. Ela tinha uma funcionária, a Evinha, que cuidava da casa e a mantinha sempre limpa”, escreveu.

    Segundo a advogada, Elke já havia explicado a origem do documento mencionado por Felitti. “Ele afirma que o pai era alemão. Que erro feio! O pai dela era russo e a mãe alemã. A Elke era minha amiga e de fato nasceu na Rússia. Havia um documento falso da Alemanha em virtude da importância da família. Sobre os parentes, ela mesma dizia ‘irmãos não são de sangue, são de alma’. De acordo com Solange, Fred era o único irmão próximo citado por Elke.

    No mesmo pronunciamento, Solange destacou a relação profissional que mantinha com a artista. Disse ter sido autorizada por ela a realizar um filme sobre sua vida, relatou que gravou seus shows — inclusive o último — e afirmou que estava na Rússia gravando cenas do projeto quando Elke morreu. “É um absurdo destruir a imagem de uma pessoa tão verdadeira”, escreveu.

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    Em comentário ao post da advogada, a cantora Karina Buhr  também manifestou indignação com o conteúdo da entrevista: “Poxa, Solange, que maravilha você falar isso (…) ela sempre cheia de amigos, Fred um irmão que cuidava com todo amor! O cara falando de lixo, final indigno, entre outros absurdos! Um abraço imenso em você!”.

    Com 21 mil seguidores no Instagram, o perfil @falandodeelke é outro que coleciona posts pedindo respeito à memória da artista que viralizaram nas últimas 24 horas. Um deles, que se referiu à entrevista de Felitti como “irresponsável e distorcida”, tem 11 mil curtidas e mais de 2 mil comentários.

    A cantora Zélia Duncan escreveu: “Puxa, Elke, uma pessoa incrível, merece ser tratada com amor, respeito e verdade. Que isso se esclareça logo.” 

    A jornalista Astrid Fontenelle também se manifestou: “O que ele chama de lixo eram joias para ela”.

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    Autor do livro Elke Maravilha – Além das perucas, saltos e batons, Ton Garcia se pronunciou no mesmo perfil. Ele afirmou que informações incorretas vêm sendo disseminadas sobre a trajetória da artista e defendeu que apenas pessoas que conviveram com ela deveriam narrar sua história. Segundo Garcia, Elke nasceu na Rússia, em Leningrado, atual São Petersburgo, em 22 de fevereiro de 1945, fato reiterado pela própria artista em entrevistas ao longo da vida.

    Ton explicou ainda que, em razão do contexto da Segunda Guerra Mundial e de perseguições políticas sofridas pelo pai, Elke não conseguiu documentação russa. A mãe, alemã, obteve então documentos daquele país para que a filha pudesse viajar. “Ela nunca escondeu que usava passaporte alemão, mas sempre deixou claro que isso não a tornava alemã”, escreveu.

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    O assessor Marcos Nienke também contestou a fala sobre a presença de lixo no apartamento da artista. “Eu estive no apartamento da Elke, no dia do seu enterro, juntamente com o irmão dela, Frederico, a irmã, Marilia, e sua sobrinha Natacha, e posso afirmar que estava tudo limpo e arrumado. Elke não era acumuladora de lixo, seu apartamento era cheio de peças de arte, quadros e seus figurinos, ele se refere ao acervo dela como lixo? Muito irresponsável a fala deste senhor”, declarou ele.

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    Em publicação nas redes sociais, o DJ e escritor Zé Pedro também se posicionou contra as declarações de Chico Felitti. Ao comentar a tentativa de enquadrar a trajetória de Elke Maravilha em interpretações definitivas, ele afirmou que a artista “jamais permitiu que alguém a definisse” e que foi “do início ao fim, a tradução mais radical de si mesma”. “Elke Maravilha jamais permitiu que alguém a definisse. Ela foi, do início ao fim, a tradução mais radical de si mesma. Uma mulher que viveu e morreu como quis, sem jamais caber na análise terceirizada, moralista ou tardia de quem tenta hoje organizar sua vida em conceitos ‘biográficos'”, disse Zé Pedro.

    O DJ e escritor, que conviveu com Elke, criticou ainda o que chamou de leituras tardias e reducionistas sobre sua vida. Segundo ele, “falar por Elke é uma violência” e “reduzi-la é um gesto de vaidade”, ao se referir às narrativas que, em sua avaliação, tentam transformar a trajetória da artista em uma tese conclusiva após sua morte.  “Convivi intensamente com Elke e fui admirador atento de sua trajetória e de sua liberdade. E jamais, como alguns que agora se colocam no papel de oráculos póstumos, tive a ousadia de decretar verdades definitivas sobre seu modus vivendi. Elke não se explicava. Ela existia. É profundamente lamentável que não esteja mais entre nós — em todos os sentidos —, mas sobretudo por não poder rebater, com sua inteligência ferina e seu riso demolidor, o festival de absurdos travestidos de verdade absoluta que ouvimos nessa entrevista sensacionalista”.

    Nesta sexta (16), o jornalista Chico Felitti rebateu as críticas às suas falas em seu perfil no Instagram. “Tudo o que está escrito no meu livro, publicado há 5 anos, é verdade. Eu tenho a certidão de nascimento da Elke, de uma cidade pequena da  Alemanha, apesar de ela ter dito que nasceu da União Soviética”. Quanto à retirada de itens logo após a morte da artista, Felitti disse: “Alguns vão dizer que ela era acumuladora, outros que era colecionadora, mas a verdade é que havia sacos e sacos de um monte de coisa, tinha de tudo, perucas, objetos trazidos de viagens pelo mundo e roupas”.

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    Elke Maravilha morreu em 16 de agosto de 2016, aos 71 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada após uma cirurgia para tratar uma úlcera e também enfrentava complicações de saúde relacionadas à diabetes e a problemas cardíacos.

     

     

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