Só
- Duração: 70 minutos
- Recomendação: 16 anos
Resenha por Jefferson Lessa



Tema tratado à exaustão, a solidão ganha abordagem original do grupo Sobrevento em Só. Atração no CCBB, o espetáculo celebra os trinta anos da trupe. Sem recorrer a diálogos, Sandra Vargas, Maurício Santana, Sueli Andrade, Daniel Viana e Liana Yuri contam apenas com os objetos manipulados, além de expressões faciais e corporais, para dar o recado. No caso, mostrar a distância quase intransponível entre os humanos, em tentativas desesperadas (e frustradas) de se comunicar, de segurar a mão do próximo. Ônibus ignoram o passageiro à espera, relacionamentos amorosos perdem o encanto (e transformam-se em casamento), a morte de um ente querido é dolorosamente sugerida. É interessante notar que os atores não se anulam, como em tantos espetáculos de manipulação, mas interagem com os objetos: uns não existem sem os outros. Em outro detalhe atraente, cada cena se inicia “herdando” um objeto da cena anterior, insinuando o grand finale. Completam triunfalmente o espetáculo os ricos figurinos de João Pimenta, a deslumbrante trilha sonora de Arrigo Barnabé e a iluminação sóbria de Renato Machado, que sublinha e realça cenas já ricas em detalhes.






