Outras Portas da Percepção
Resenha por Jefferson Lessa



otógrafo, antropólogo, cineasta, ensaísta, o mineiro sempre foi um artista inquieto — um desassossego que, de alguma forma, é evocado em Outras Portas da Percepção, individual em cartaz no Oi Futuro Flamengo. Bem montada, com entrevista do artista em vídeo e uma iluminação ao mesmo tempo bonita, luxuosa e prática, a mostra reúne três séries fotográficas, inspiradas pela pintura fantástica de William Blake (1757-1827) e pelas investigações de Aldous Huxley (1894-1963) sobre os estados alterados da consciência. Como sugere o título da exposição, a ideia aqui é a proposição de novas formas de olhar as imagens. Chamam atenção os trabalhos nos quais Omar promove releituras do quadro Moça com Brinco de Pérola, do holandês Johannes Vermeer (1632-1675). A garota citada no nome da obra está lá, e a reconhecemos da notória pintura. Mas já não é ela, e sim uma moça (re)inventada. Os registros fotográficos que Omar faz da água também impressionam, e não só pela beleza: fluido por natureza, o líquido surge imobilizado para sempre, transformando-se, assim, ora em um rosto, por vezes em um dragão.






