Os Sonhadores
- Duração: 80 minutos
- Recomendação: 18 anos
Resenha por Jefferson Lessa

elo momento histórico em que é ambientado, o espetáculo tinha tudo para transportar a plateia a um passado instigante. Sem saudade nem nostalgia banal, poderia evocar a lembrança do que a humanidade precisou encarar em tempos recentes para chegar onde estamos hoje — a dias de liberdade, débil, mas liberdade. Só que não. Em cartaz no Oi Futuro Ipanema, esta montagem de Os Sonhadores, baseada no romance de Gilbert Adair que deu origem ao belo filme de Bernardo Bertolucci, parece se manter à margem de qualquer discussão mais profunda. Nada contra: a beleza das imagens em cena é inequívoca, o que seria suficiente para o tratamento de assuntos mais amenos. O problema aqui é que essa opção torna superficial a abordagem de um período de mudanças profundas, marcantes. A ação jamais acontece, passa ao largo dos burgueses que gastam seu tempo em discussões fúteis e sem interesse. Fica a impressão de estarmos diante de jovens mimados, sem nenhum interesse pela vida, arrastando-se pelo palco. As projeções são belas, mas enfeitam um jogo vazio, que se estende ao infinito, sem razão, sem chegar a lugar algum.





