O Capote
- Recomendação: 12 anos
Resenha por Jefferson Lessa


A vida de Akaki Akakievitch é de uma mediocridade sem par. Morador da gélida São Petersburgo, onde trabalha como escrevente em uma repartição pública, ele precisa comprar um casaco novo, pois o seu já não aguenta mais remendos. Para tanto, deixa de lado prazeres ínfimos como tomar chá ou jantar — cada tostão é economizado ao longo de seu melancólico esforço. Drauzio Varella e Cássio Pires assinam a adaptação para o palco de O Capote, de Nikolai Gogol (1809-1852), considerado um dos melhores contos da história. Sartre define a obra como o marco inicial da literatura moderna. Na montagem dirigida por Yara de Novaes, a história ganha ares de tragicomédia, sublinhados por dois narradores que saltam, falam alto e não deixam Akaki contar sua versão dos fatos, além de manipularem o personagem como uma marionete. Com isso, perde-se profundidade. Projeções de vídeo também diluem a tragédia e funcionam mais como distração. Sons produzidos em cena pela musicista Sarah Assis, por sua vez, são econômicos, elegantes e de belo efeito dramático. Fazem par com a bela atuação do protagonista, Rodolfo Vaz. Pena que o conjunto não funcione tão a contento.






