Ferreira Gullar
Resenha por Renata Magalhães



Termos rabiscados, ao lado de palavras que chocariam mentes mais pudicas, dão o toque literal nas páginas onde se lê o famigerado Poema Sujo. A versão original dos versos mais famosos de Ferreira Gullar, 85 anos, escrita no exílio em Buenos Aires, é uma das atrações da mostra dedicada ao poeta maranhense, um dos fundadores do neoconcretismo. O movimento artístico-literário criado em 1959 por Gullar, Lygia Clark e Amílcar de Castro, entre outros nomes, é parte de uma rica história relembrada em detalhes no BNDES. Fotos e objetos pessoais, letras de música, suas incursões artísticas por coloridas colagens e uma antiga máquina de escrever são alguns dos itens que criam o ambiente propício para um mergulho na vida e na obra do homenageado. Em outro espaço, o público pode se sentar para ler seus livros publicados. Fragmentos de uma entrevista em vídeo, divididos por quatro TVs, dão boas mostras do seu humor ácido, além da opinião do próprio criador a respeito de episódios de sua carreira. O ponto alto da visita é um trabalho inédito: Poema Enterrado, criado em 1959 e nunca antes exibido em público, é um cubo de 3 metros de altura que, ao ser desbravado pelo visitante, revela sua mensagem simples, escondida por uma sucessão de pequenas caixas, uma dentro da outra.







