Conversação
Resenha por Jefferson Lessa

As belezas naturais do Rio levam a certa injustiça contra a cidade: pouco se fala das maravilhas artificiais locais. Na exposição de fotos Conversação, com abertura prevista para este sábado (5), no Parque das Ruínas, Aristides Correa Dutra propõe um olhar atento sobre a cidade construída. Ele evitou monumentos como o Theatro Municipal, o MAM ou nosso ícone mais recente, o Museu do Amanhã. Nas imagens, ressalta “personagens” raramente notados pelo passante apressado. “Quase todas as fotos têm a figura humana. Há vultos históricos, santos, anjos, alegorias, figuras mitológicas e máscaras”, relata o artista plástico e fotógrafo, que se diz influenciado por Marc Ferrez e Augusto Malta, e pelo fotógrafo de moda alemão Horst P. Horst (1906-1999), devido ao “tratamento escultórico que dava ao corpo humano”. Flanando pela cidade, Dutra trilha caminho oposto ao humanizar esculturas cariocas — a exemplo de Alegoria da Sabedoria, trabalho de terracota que enfeita o topo do Solar do Visconde do Rio Seco, no Centro.






