Céus
- Direção: Aderbal Freire Filho
Resenha por Renata Magalhães

Aplausos tímidos vêm sendo ouvidos ao final das sessões, o que parece não combinar muito com as quatro estrelas, indicação de um espetáculo muito bom. Explica-se: Céus, em cartaz no Teatro Poeira, deixa o público estarrecido diante do desfecho chocante para uma trama construída através do encaixe meticuloso das cenas. O texto do libanês Wajdi Mouawad, também autor de Incêndios, fenômeno teatral de 2013, acompanha a história de cinco personagens que, confinados em uma espécie de bunker, tentam evitar um iminente ataque terrorista. Charles Fricks e Isaac Bernat são os nomes mais experientes do elenco e, em ação, demonstram isso com sobras. A equipe traz dois tipos jovens: Felipe de Carolis, na pele do agente recém-chegado, substituto de um integrante morto há pouco, e um intenso Rodrigo Pandolfo. Silvia Buarque completa o grupo e reforça o tom trágico da narrativa, no papel da tradutora guardiã de pesados segredos. Na montagem, recursos de som e vídeo têm presença fundamental. A trilha ganha um toque circense quando os atores, em um dos acertos na direção de Aderbal Freire‑Filho, cuidam eles mesmos das mudanças no cenário. No ambiente que representa o quarto dos personagens, o público conhece um pouco mais sobre a história pessoal de cada um. Na área de trabalho, sobe a tensão, sublinhada por vídeos e uma algazarra em off. A sobreposição de situações ora despista, ora acrescenta informações à trama, mas preserva o mistério até o fim. O suspense reinante e o ritmo arrebatado da encenação têm tudo para capturar o espectador mais jovem, mas não há quem, no palco e na plateia, resista à tentação de buscar uma forma de impedir o atentado.







