A Tropa
- Duração: 90 minutos
- Recomendação: 14 anos
Resenha por Jefferson Lessa



Em volta do patriarca moribundo, os filhos não demoram a enveredar por um inevitável acerto de contas. Em meio à roupa suja por lavar, a reunião familiar forçada leva a graves revelações e outros momentos catárticos. O ponto de partida do drama A Tropa não é inédito no universo da ficção, mas impressiona pelo alcance que atinge. O texto teatral de estreia do jornalista Gustavo Pinheiro (vencedor da sétima edição do concurso Brasil em Cena, promovido pelo CCBB) esbanja maturidade na costura de emoções privadas e acontecimentos públicos. Ao retratar as relações entre o coronel (Otávio Augusto) e seus quatro filhos (Alexandre Menezes, Daniel Marano, Edu Fernandes e Rafael Morpanini), o autor equilibra com segurança o amargor inevitável do reencontro e altas doses de humor, valendo-se de uma dramaturgia forte, burilada quase à perfeição. Servem de pano de fundo a trajetória da família e do país, sacudido por episódios que vão da ditadura militar aos dias atuais, de Operação Lava-Jato. A direção de Cesar Augusto impede excessos, tanto no lado cômico quanto no dramático, proporcionando aos atores a chance de brilhar. No elenco, sobressai o tarimbado Otávio Augusto, em notável esforço para não jogar o papel do militar da reserva na vala da caricatura grotesca. A cenografia de Bia Junqueira, econômica, cria um quarto de hospital bonito e, por vezes, aconchegante — o que, convenhamos, não é fácil. Também realçam a montagem a luz difusa de Adriana Ortiz e a trilha sonora instrumental nada óbvia de Cesar Augusto e Rodrigo Marçal.






