Carioca nota dez

Nice Carvalho busca doadores de sangue para o INC

A enfermeira criou uma campanha que cadastra doadores voluntários para o Instituto Nacional de Cardiologia

Por: Thais Meinicke

Selmy-Yassuda
Nice Carvalho (Foto: Selmy Yassuda)

Com vinte anos de experiência como instrumentadora cirúrgica, a enfermeira Nice Carvalho cansou de ver cirurgias ser canceladas por falta de sangue nos principais hospitais da cidade. Incomodada com o problema, resolveu partir para a ação como forma de amenizar a situação. Desde março, Nice promove eventos de conscientização para atrair novos doadores para o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras. A escolha do hospital não foi por acaso. “Cirurgias de coração são mais urgentes. Geralmente os pacientes não podem esperar muito tempo”, explica. Moradora do Grajaú, a enfermeira escolheu uma pracinha do bairro para sediar o primeiro ato da campanha e, já na estreia, conseguiu mobilizar setenta pessoas. No espaço montado pela equipe, os voluntários puderam esclarecer dúvidas sobre doação de sangue e fazer exames para aferir pressão e índice glicêmico. Hoje, após seis ações do tipo, sua lista de doadores já conta com 230 nomes. “Desde que comecei a mobilização, nenhuma cirurgia teve de ser cancelada por falta de sangue”, orgulha-­se a idealizadora, que comanda pessoalmente todas as atividades e não tem nenhum patrocínio.

"Doar sangue é uma atitude simples, que toma pouco tempo, mas faz uma grande diferença para quem precisa"

O resultado da mobilização foi tão positivo para o banco de sangue do INC que a diretoria do hospital disponibilizou uma van para transportar os doadores recrutados pelo projeto. Semanalmente, cerca de quinze voluntários comparecem ao local. “Eles são convocados de acordo com o tipo sanguíneo que está com o estoque mais baixo.” A campanha é uma das ações realizadas pelo Projeto Social Bla Bla Bla, criado pela própria Nice em 2012. Além de recrutar novos doadores de sangue, a iniciativa promove cursos de capacitação em comunidades carentes e recolhe donativos para asilos e orfanatos. Otimista com as adesões, a enfermeira já faz planos para que o seu cadastro possa funcionar como um grande banco de doadores, atendendo a outros hospitais da cidade. “Doar sangue é uma atitude tão simples, que toma tão pouco tempo e, ao mesmo tempo, faz uma diferença tão grande para quem precisa. Fico feliz de conseguir sensibilizar as pessoas para esse ato e ajudar a salvar vidas”, diz ela.

+ Ana Maria da Silva, por ter um tipo sanguíneo raro, doa sangue regularmente a portadores da síndrome do Rh nulo

Fonte: VEJA RIO