carioca nota dez

André Dias da Gama criou uma banda composta de portadores de deficiência

Músico é o criador do projeto Portadores do Ritmo

Por: Thaís Meinicke

Andrezão
Andrezão comanda o projeto Portadores do Ritmo (Foto: Alle Vidal)

Nascido em uma família de musicistas, era natural que André Dias Vieira da Gama — o Andrezão, como é conhecido — seguisse pelo mesmo caminho. Aos 42 anos, ele tem uma sólida carreira como percussionista e acumula trabalhos ao lado de artistas como Almir Guineto, Serjão Loroza e Beth Carvalho. Apesar da intensa rotina de gravações e shows, ainda encontra tempo para cuidar do projeto Portadores do Ritmo, criado por ele há dez anos para ensinar música a pessoas com deficiências como síndrome de Down, hidrocefalia e paralisia cerebral. “Como a maioria dos alunos também tem problemas motores, nós adaptamos os instrumentos às capacidades de cada um”, explica. A sensibilização do instrumentista para a causa começou na juventude, quando ele estudou em uma escola inclusiva, que proporcionava a convivência com portadores de deficiências. Mais tarde, por meio de um enteado, a quem acompanhava em consultas e tratamentos de uma doença chamada displasia metafisária, envol­veu-se ainda mais com essa realidade.  

"Tenho alunos que nem falavam e, graças à música, hoje cantam"

Criado em 2004, a princípio como uma iniciativa ligada à prefeitura do Rio, o projeto logo continuou de forma independente, e já passou por diversos lugares — entre 2008 e 2013, durante uma temporada na Europa, Andrezão chegou a aplicar sua técnica de ensino em workshops na Dinamarca, Espanha, França, Suécia, Holanda e Alemanha. Desde 2014, com sua volta ao Rio, as atividades acontecem em um espaço cedido pelo Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Flamengo. Atualmente, o grupo de alunos conta com quinze integrantes, que se reúnem para os ensaios uma vez por semana e fazem apresentações mensais para mostrar o resultado do trabalho. No repertório, cuja base é o samba de raiz, estão clássicos de Cartola, Adoniran Barbosa e Candeia, entre outros. Como o projeto nunca teve nenhum tipo de patrocínio, Andrezão cede os próprios instrumentos e ministra as aulas com a ajuda da mãe, Heloísa Dias, que é pedagoga e musicista. Orgulhoso, ele destaca os benefícios da ação de inclusão: “A percussão trabalha a motricidade de forma lúdica. Tenho alunos que nem falavam e, graças à música, hoje cantam. Eles ficam mais extrovertidos, começam a andar e a interagir melhor”. 

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Fonte: VEJA RIO