Ligados pelo destino

Amizade improvável é tema da comédia Um Santo Vizinho

Apesar do desfecho sentimental, longa estrelado por Bill Murray é repleto de trechos politicamente incorretos

Por: Miguel Barbieri Jr.

um santo vizinho
Vincent e Oliver: um aprende com o outro (Foto: Divulgação)

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Tramas com amizades improváveis são comuns no cinema, assim como protagonistas rabugentos. Por mais que a história de Um Santo Vizinho tenha algo de déjà-vu, o diretor e roteirista Theodore Melfi, em seu primeiro lon­ga-metragem, contorna qualquer sinal de previsibilidade. Com um pé nas costas, Bill Murray interpreta Vincent, um senhor mal-humorado do Brooklyn, em Nova York, sinônimo de transgressão e também de transparência. Ele transa com uma prostituta russa (Naomi Watts), bebe e fuma além da conta e seu passatempo predileto é fazer apostas em cavalos. Sem grana, grosseirão e nenhuma papa na língua, Vincent, por ajuda do destino, se oferece para ser babá de Oliver (Jaeden Lieberher), um menino franzino cuja mãe, a enfermeira Maggie (Melissa McCarthy), abandonou o marido infiel. A partir daí, Vincent, um veterano da Guerra do Vietnã, e o vizinho Oliver tornam-se quase inseparáveis. O adulto aprende com o moleque a amolecer o coração e o menino ganha um pai (ou avô) postiço que o ensina a enfrentar a seriedade do dia a dia. Há algo, sim, de sentimental (mas não menos comovente) no desfecho, mas o politicamente incorreto domina a comédia sem fazer muitas concessões. Vincent continua um tipo incorrigível. Melhor assim. Direção: Theodore Melfi (St. Vincent, EUA, 2014, 102min). 12 anos. Estreou em 19/2/2015. 

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Fonte: VEJA RIO