CINEMA

Um bateirista na linha de fogo

Marcelo Yuka no Caminho das Setas surpreende pelas sinceras declarações do artista

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Marcos Hermes
(Foto: Redação Veja rio)

Entre documentários dispensáveis, como Onde a Coruja Dorme e Construção, há bons registros passando pelo circuito, a exemplo de Tropicália e Muito Além do Peso. Soma-se ao time vencedor Marcelo Yuka no Caminho das Setas, em cartaz desde sexta (30) no Cine Candido Mendes e no Espaço Itaú de Cinema 5. Da trajetória de um profissional da arte, surgem como pano de fundo as mazelas do Brasil. A diretora Daniela Broitman seguiu Marcelo Yuka por oito anos e condensou 130 horas de gravações em 95 minutos. Então compositor e bateirista da banda O Rappa, Yuka levou nove tiros ao tentar impedir um assalto no Rio em 9 de novembro de 2000. Ficou paraplégico, pensou em suicídio e, em meio a dores lancinantes, deixou o grupo após diferenças irreconciliáveis com o vocalista Falcão e demais integrantes. Criou outro conjunto, o F.UR.T.O, deu continuidade aos projetos sociais e mudou seu estilo musical.

As transformações dele são sentidas à flor da pele ao longo da projeção. Na aparência, Yuka ganhou alguns quilos; por dentro, continua o mesmo contestador de sempre - agora zen e praticante da meditação. Surpreendem mais em sua trajetória a recusa em aceitar seu estado físico e o mea-culpa feito por haver negligenciado a fisioterapia por um longo tempo. Ele batalhou pelas pesquisas de células-tronco e jamais se considerou um exemplo de superação. Se o filme estampa seu generoso sorriso e o humor espirituoso, expõe por trás a fragilidade da segurança pública que o fez mais uma vítima da violência. As câmeras acompanham a vida do músico até 2011, quando ele se apresentou na quarta edição carioca do Rock in Rio. Ficou de fora, portanto, sua experiência como candidato a vice-prefeito do Rio nas eleições municipais deste ano.

Marcelo Yuka no Caminho das Setas, de Daniela Broitman (Brasil, 2011, 95min). 12 anos. Estreou em 30/11/2012. Cine Candido Mendes e Espaço Itaú de Cinema 5.

Fonte: VEJA RIO