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Filmes nacionais recentes como O Som ao Redor e Casa Grande mostraram a força de dramas que trazem à tona discussões atuais sobre a sociedade brasileira. O paulistano Que Horas Ela Volta? acrescenta a essa onda um “algo mais” irresistível: a capacidade de comover o espectador. O prestígio internacional do novo longa de Anna Muylaert (de Durval Discos e É Proibido Fumar), vencedor de prêmio de público no Festival de Berlim, pode ser creditado ao apelo universal de uma trama sobre amor de mãe. O impacto, no entanto, teria sido muito menor sem Regina Casé à frente do elenco. Desde Eu Tu Eles, de 2000, a atriz estava devendo uma interpretação memorável. No papel da empregada doméstica Val, ela garante alma às provocações da cineasta, que discute por um viés intimista as relações de poder escondidas no nosso cotidiano. Conformada com uma vidinha estável, mas sem perspectivas, a pernambucana mora num cômodo abafado de uma mansão no Morumbi e se considera uma segunda mãe do adolescente Fabinho (Michel Joelsas). Esse clima de falsa harmonia cai por terra quando sua filha, Jéssica (Camila Márdila, que dividiu com Casé o troféu de melhor atriz no festival americano de Sundance), resolve passar uma temporada em São Paulo para prestar vestibular. O choque de temperamentos será bombástico. Sem a menor vontade de ser tratada como cidadã de segunda classe, a jovem irritará a patroa (Karine Teles) e será desejada pelo pai da família (Lourenço Mutarelli). Embora pese um pouco a mão na solução dos confitos, amarrados sem tanta sutileza, Muylaert dá conta de transformar, pouco a pouco, a maneira como o espectador vê essa personagem “invasora”: de visitante inconveniente a uma força rebelde capaz de mostrar à mãe que a vida pode ir além do quartinho dos fundos. Estreou em 27/8/2015.

Ficha técnica

Direção: Anna Muylaert

Duração: 115 minutos

Recomendação: 14 anos

País/Ano:

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