Crônicas de Nuestra América

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Resenha por Rafael Teixeira

Criador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal (1931-2009) conheceu bem as agruras da ditadura militar brasileira: após uma temporada na prisão em 1971, exilou-­se na Argentina. Ao longo dos primeiros cinco anos por lá, o autor e diretor escreveu uma série de histórias curtas sobre o cotidiano na América Latina, publicadas no jornal O Pasquim. A comédia Crônicas de Nuestra América - mesmo nome da compilação dos textos lançada em 1977 - leva-as pela primeira vez ao palco. Theotonio de Paiva assina a adaptação, centrada na trama inicial do livro, O Gato, a Mulher de Johnny e a Bicicleta a Motor, embora outras surjam em relatos de alguns personagens. Ambientada nas Ilhas Falkland, arquipélago ao sul do continente americano, a narrativa tem como protagonista o marinheiro inglês John Sutherland (Henrique Manoel Pinho na maior parte do tempo, dividindo o papel com Lucas Oradovschi). Longe de seu país, ele alterna trabalhos menos nobres, alguma vadiagem na taberna de Clorinda (Carmen Luz e Larissa Siqueira) e a preocupação com a mulher, Dorothy (Clara de Andrade), cobiçada pelo galanteador El Gato (Oradovschi e Adriana Schneider). Toques surrealistas pontuam a sessão, apropriadamente simples para o que se apresenta como crônica. Por trás da aparente ligeireza, porém, vislumbram-se reflexões sobre o desterro (reforçadas esteticamente no cenário e nos figurinos de Dani Vidal e Ney Madeira). A direção de Gustavo Guenzburger aposta na coletividade, notada na coreografia das marcações e no compartilhamento de um personagem por mais de um ator.

Ficha técnica

Duração: 70 minutos

Recomendação: 14 anos

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