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Concertos revigorados sob a regência das plataformas digitais

Músicos ouvidos por Veja Rio acreditam que guinada on-line mantenha acesa a atração pelo gênero

Por Júlia Pinho e Rayanne Azevedo* - Atualizado em 14 jul 2020, 17h54 - Publicado em 15 jun 2020, 12h51

Em meio ao reinado das lives, a experiência dos concertos também é redimensionada para as plataformas digitais. Principal casa do gênero na cidade, a Sala Cecília Meireles também se afina à partitura on-line. Enquanto integra o conjunto de espaços culturais temporariamente fechados pela pandemia, o tradicional polo de formação e difusão da música erudita oferece uma playlist no Youtube com mais de 130 concertos ali realizados por mais de meio século.

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A iniciativa pretende compensar parcialmente a falta das apresentações presenciais. Busca manter acesos o contato com o público e a atmosfera dos concertos. Mais à frente, a experiência digital talvez renda novas etiquetas e novos horizontes para o consumo deste bem cultural. VEJA RIO conversou com alguns músicos clássicos para avaliar a guinada on-line e indicar concertos imperdíveis naquela extensa lista. Uma espécie de “Top 10 dos concertos da Sala Cecilia Meireles”, ora revisitados sob a regência do mundo digital.

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Para o musicista e doutor em fagote Elione Medeiros, o fascínio de estar presente nas apresentações retorna de forma nostálgica e saudosa por meio da oferta on-line. Ele acredita que esta forma de manter viva a chama da música de concerto fará o público valorizar a experiência digital mesmo quando as apresentações retornarem às atividades regulares, presenciais.

Daniel E Bendinger/Divulgação

O maestro e violinista Felipe Prazeres acredita que a playlist oferecida pela Sala contemple o público durante a pandemia. Mas, na opinião dele, “não há comparação com as apresentações ao vivo”. Por outro lado, o maestro considera a iniciativa fundamental para manter a vida musical na cidade.

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A pianista Simone Leitão também destaca a importância de, em meio ao isolamento social, manter a musicalidade numa cidade como o Rio. Assim tem feito a sucessão de lives. Desempenham um papel pioneiro, avalia a pianista a musicista. Simone acredita que a onda pode aproximar mais o público dos concertos depois da pandemia. Pois as plataformas digitais podem acentuar o “forte poder de atração” da música clássica. “Quanto mais você ouve, mais entende. E quanto mais você entende, mais quer ouvir”, argumenta.

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Daniel E Bendinger/Divulgação

Simone acrescenta que sente falta de concertos recentes como a Sonata de Bartok para dois pianos e percussão, que ela dirigiu. Havia dezesseis anos que não era produzida no Rio.

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Como a experiência dos concertos foi transferida da Sala Cecília Meireles para a sala de casa durante o isolamento, VEJA RIO seleciona, com a ajuda desses músicos, dez sugestões da lista de 130 apresentações disponíveis no canal do YouTube da Sala Cecília Meireles. Dela fazem parte nomes como José Siqueira, Villa Lobos e Ronaldo Miranda:

1) José Siqueira : concerto para orquestra

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2) Villa Lobos : Choros 6 

3) Nelson Freire ; Recital

4) Mário Tavares: Concertino

5) Edinho Krieger: Música 1952 para cordas

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6) Yamandu Costa e Camerata Jovem do RJ

7) Orquestra Johann Sebastian Rio homenageia Vivaldi no Partituras

8) Schumann – Prokofiev – Brahms (Linda Bustani)

9) Tchaikovsky Souvenir de Florence – Ashkenasi, Barra Mansa Festival

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10) Ronaldo Miranda : Cantares 

*Júlia Pinho e Rayanne Azevedo, estudantes de comunicação da PUC-Rio, sob supervisão dos professores da universidade e revisão de Veja Rio

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