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Roger volta a treinar no Botafogo 30 dias após retirada de tumor

VEJA RIO acompanhou com exclusividade a manhã do atacante antes do primeiro treino em seu retorno ao futebol

Por Dilson Júnior - Atualizado em 7 nov 2017, 17h26 - Publicado em 7 nov 2017, 10h07

Quinze para as seis da manhã. Roger levanta, toma café e leva os filhos à escola antes de ir para o treino do Botafogo, no Engenhão, zona norte do Rio. A rotina seria totalmente comum para o jogador se nesta terça (7) não completasse exatos trinta dias de uma cirurgia para retirada de um tumor renal. Após grandes emoções vividas em 2017, como o bom momento no alvinegro e a comoção de ver sua filha cega de nascença ter o nome gritado em um estádio lotado após sensibilizar o Brasil com sua história, o artilheiro do time no ano diz que não dormiu na noite anterior ao tão aguardado retorno. “Levantava a todo momento para ver a hora”, conta ansioso.

O paulista de 32 anos foi diagnosticado com o tumor após sentir dores na região lombar e lembra que uma das maiores dificuldades no período foi revelar a verdade para a pequena Giulia. “Ela é muito esperta e logo percebeu que tinha algo de diferente. Fui sincero e contei o que sabíamos. Ficou muito triste, perguntou se eu ia parar de jogar, mas dei força a ela”, lembra ele, que já havia marcado 17 gols pelo glorioso e disputava a Copa Libertadores.

A caminho do treino, Roger dá uma aula de otimismo e fala com propriedade sobre como se sente vitorioso após lembrar alguns problemas passados, como o alcoolismo na época em que jogava no São Paulo e as dificuldades emocionais quando Giulia nasceu e foi submetida a uma série de malsucedidos tratamentos em busca da visão. Sobre essa montanha-russa de sentimentos ao longo da carreira, o jogador afirma que já aprendeu a passar pelas dificuldades como passa pelos goleiros. “Sou um vencedor, escolhido por Deus. Sabia que esse era só mais um desafio mediante a tantos outros. Sempre penso assim. Minha fé me curou”.

Submetido a uma cirurgia robótica em que um médico guia braços mecânicos através de um computador, Roger planeja se engajar na área da saúde para ajudar pessoas com câncer que não tenham acesso a procedimentos mais eficazes. Para isso, considera até ingressar na política quando encerrar a carreira. No entanto, o fim ainda está longe. Especulado no Corinthians mas tratando a renovação com o alvinegro carioca como prioridade, o jogador espera atuar nos últimos jogos do brasileiro e, quem sabe, até balançar as redes para coroar mais uma grande vitória em sua vida.

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