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Monólogo rende tributo à atriz Myrian Muniz

Com economia de recursos, Cassio Scapin evoca atriz, diretora e professora em <em>Eu Não Dava Praquilo</em>

Por Rafael Teixeira - Atualizado em 5 dez 2016, 12h24 - Publicado em 7 fev 2015, 00h00

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Com seus 12 anos, mais ou menos, Myrian Muniz (1931-2004) cismou que queria ser bailarina. Uma desastrosa experiência no Theatro Municipal, porém, quando derrubou outra dançarina e foi parar nas coxias, em cima da professora, enterrou suas pretensões — definitivamente, ela não dava para aquilo. Histórias como essa, pinçadas da vida de um dos maiores nomes das artes cênicas brasileiras, são desfiadas saborosamente por Cassio Scapin no monólogo Eu Não Dava Praquilo. Absolutamente magnético, ele dá voz ao pensamento real de Myrian: o texto, escrito pelo próprio Scapin em parceria com Cássio Junqueira, é baseado na biografia da atriz, diretora e professora e em uma entrevista gravada em vídeo. Temas como vocação, sucesso, trabalho, sexo, liberdade e, claro, teatro emergem das falas, proferidas com a típica voz rouca de Myrian. O ator, porém, não envereda pelo caminho mais fácil da caracterização física: sob direção cuidadosa de Elias Andreato, em um cenário cru, ele passa o tempo todo vestido com figurino neutro preto, utilizando apenas uma echarpe, cigarros e excelente trabalho de corpo para evocar a homenageada. Conhecedores da trajetória de Myrian podem tirar melhor proveito do espetáculo, mas, no fim das contas, mais do que um tributo ao seu ofício, trata-se em certa medida de uma aula sobre a vida, lição apropriada até mesmo para aqueles que nunca tenham entrado antes em um teatro (60min). 16 anos. Estreou em 8/1/2015.

Centro Cultural Banco do Brasil — Teatro I (175 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. → Quarta a domingo, 19h. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 10h (qua. a dom.). Até 1º de março.

 

 

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