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Marcelo Tinoco

Na mostra individual, doze fotografias retratam mundos imaginários

Por Rafael Teixeira Atualizado em 5 dez 2016, 12h43 - Publicado em 17 set 2014, 19h35

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Um paradoxo irresistível domina a individual Histórias Naturais. Nas doze obras em exposição, a fotografia, como registro da realidade, ancora todo o trabalho, mas, ao mesmo tempo, revela-se apenas uma ferramenta no processo de subversão da prática documental. Realizadas desde 2012 e inspiradas na pintura flamenga e renascentista, as obras apresentam mundos imaginários, por vezes oníricos, mas nunca inteiramente descolados do real – reside aí sua convidativa estranheza. O método de Tinoco consiste, primeiramente, em fotografar paisagens naturais, ambientes urbanos, animais e pessoas. Esses retratos são arquivados e, por fim, partes deles são combinadas digitalmente para a construção de uma nova imagem. Em cada criação, o fotógrafo paulistano utiliza cerca de 250 cliques e despende cerca de três semanas de trabalho. A técnica não é exatamente uma novidade, mas o resultado aqui é um deleite. Algumas das peças em exibição sugerem uma viagem no tempo. É o caso de Orgânica, cena rural com um toque familiar. As mais interessantes, porém, são aquelas em que o artista radicaliza o processo e cria cenas absolutamente improváveis, como a de High Line 2, harmoniosa fusão do conhecido parque suspenso nova-iorquino com a savana africana, na qual crianças passeiam ao lado de animais selvagens.

Caixa Cultural – Galeria 1. Avenida Almirante Barroso, 25, Centro, ☎ 3980-3815, ? Carioca. → Terça a domingo, 10h às 21h. Grátis. Até 19 de outubro.

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