Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês

Gordinhas disputam o Miss Plus Size Carioca 2015

De olho na carreira de modelo plus size, candidatas de todo o estado batalham pelo primeiro lugar em concurso de beleza que acontece neste sábado (21)

Por Daniela Pessoa Atualizado em 2 jun 2017, 12h21 - Publicado em 20 nov 2015, 00h00

São 2 da tarde em um estúdio de dança no Catete. Ali, moças com idade entre 17 e 42 anos se posicionam para iniciar a coreografia rebolativa, no estilo cabaré, que vêm ensaiando há um mês sob a batuta de uma professora argentina. Neste sábado (21), quando disputarão o título de Miss Plus Size Carioca 2015, elas darão um show com direito a figurino justinho, meia arrastão e cartola no salão nobre da Casa de Espanha. A apresentação de dança não conta pontos, mas o desfile de gala, em seguida, sim. Dez jurados avaliarão os quesitos elegância, beleza e postura para eleger a gordinha mais bonita do estado – apesar do “carioca” no título do concurso. A vencedora conquistará, além de uma viagem a Buenos Aires, uma vaga nos concursos Diva Brasil Plus Size e A Mais Bela Gordinha do Brasil. “Sou uma mulher linda que já não aguenta ver a sociedade impondo padrões de beleza inalcançáveis. Eu me amo como sou, me cuido e tenho uma saúde de ouro”, discursa Amanda Barros, de 19 anos, manequim 48. Candidata de Petrópolis, ela tem andado de salto alto mesmo dentro de casa a fim de treinar para o desfile. “Agora, até lavo louça me equilibrando”, conta, aos risos.

Conhecido pelos corpos sarados e musas fitness com milhares de seguidores nas redes sociais, o Rio é uma cidade com vocação para a dieta, a malhação e os cuidados extremos com a forma física. Nada pode estar fora do lugar, ainda mais no verão, quando a praia se torna palco de um verdadeiro desfile de corpos esculpidos em academias. O ideal de silhueta esguia e barriga negativa é um modelo para todo o país, porém mais da metade da população (52,5%) está acima do peso. “Precisamos dar mais oportunidades aos gordinhos, que sofrem com o bullying e a rejeição”, afirma Eduardo Araúju, responsável pelo concurso. Funcionário público, ele organiza o Miss Maturidade desde 1995 e, há cinco anos, o Miss Plus Size Carioca. Deu tão certo que, em 2016, realizará pela primeira vez por aqui o Miss Plus Size Nacional. “Não se trata de apologia da gordura. O concurso é um momento de mudança, de aceitação, uma ode à felicidade”, diz Araúju. No ano passado, o palco onde as moças treinavam para o desfile cedeu com o peso, mas ninguém se abateu. Pelo contrário, a situação acabou virando mais uma das divertidas histórias em torno da disputa. 

Rotina de fotos  e ensaios: há um mês as modelos  se preparam  para o desfile  que acontece  no sábado (21)
Rotina de fotos e ensaios: há um mês as modelos se preparam para o desfile que acontece no sábado (21)

Grande vencedora do Miss Plus Size Carioca 2012, Amanda Santana, de 31 anos, atualmente uma das modelos de maior destaque no estado, largou o trabalho em uma clínica para se dedicar integralmente à moda. “O título foi uma terapia para mim. Antes, odiava ser gorda e me achava feia, chorava na frente do espelho. Não ia à praia e cheguei a perder três anos de escola por vergonha dos colegas”, conta a beldade da Ilha do Governador. Hoje com manequim 48, ela acaba de posar para um catálogo de lingerie. “Cansei de ouvir que tinha o rosto bonito e precisava emagrecer. Agora tenho orgulho do meu corpo.” Com um cachê médio de 1 000 reais por trabalho, Amanda ganha bem menos do que as modelos convencionais. Ainda assim, as novatas não se abatem. “Uma das minhas inspirações é a Gisele Bündchen, com a vantagem de que não preciso viver de dieta como ela”, diverte-se Ohrana Maruche, 21 anos, concorrente de Engenho de Dentro.

A modelo Fluvia Lacerda: manequim 48 e cachê de 40 000 dólares
A modelo Fluvia Lacerda: manequim 48 e cachê de 40 000 dólares

Mercado em ascensão, o segmento de moda plus size (manequim acima de 44) movimentou, em 2013, cerca de 4,5 bilhões de reais no país. De olho no filão, lojas de departamentos como Marisa, Renner e C&A lançaram coleções dedicadas aos tamanhos grandes. Entretanto, segundo levantamento da Flaminga, a maior empresa de e-commerce plus size do país, 52% das mulheres acima do peso ainda têm dificuldade na hora de comprar roupas. “No Brasil, parece que não gostam de ganhar dinheiro”, reclama Fluvia Lacerda, 35 anos, manequim 48, esta sim uma espécie de Gisele Bündchen do universo GG. Carioca radicada em Nova York, ela já foi capa da Vogue italiana e tem um cachê médio de 40 000 dólares por campanha. No que depender dela, e das candidatas cariocas ao miss extra large, as musas fitness que se cuidem.

Infográfico concurso miss plus size carioca 2015
Infográfico concurso miss plus size carioca 2015
Continua após a publicidade

Publicidade