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Não é mera coincidência

Inspirado na morte de Vladimir Herzog, o drama Fábrica de Chocolate, de Mario Prata, revisita a ditadura militar brasileira

Por Rafael Teixeira - Atualizado em 5 dez 2016, 13h59 - Publicado em 6 dez 2013, 15h48

AVALIAÇÃO ✪✪

Em 1975, agentes a serviço da ditadura militar brasileira torturam um sujeito até a morte durante um interrogatório. Para esconder o crime, forja-se uma situação em que a vítima parece ter se enforcado. Desenvolvida por Mario Prata em Fábrica de Chocolate, a trama é um decalque da história do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975). Idealizado durante o velório da vítima, o drama tem nessa proximidade com o episódio sua força e também seu problema, como revela a montagem em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim. Se, por um lado, a encenação revela-se importante para a preservação da memória do país, por outro não esconde um certo esquematismo dos personagens. Os torturadores, especialmente o líder, Herrera (Henrique Manoel Pinho), são meramente vilanescos, e o empresário envolvido na tramoia (André Cursino) é um egoísta sem escrúpulos. A direção de Luizapa Furlanetto, apesar de correta e de impor bom ritmo à ação, não ameniza aquilo que, de saída, é exacerbado no texto. Vale destacar, porém, a qualidade da maior parte do elenco ? especialmente Adriana Torres, ótima como a agente chamada às pressas para resolver o problema (70min). 14 anos. Reestreou em 19/11/2013.

Casa de Cultura Laura Alvim – Porão (70 lugares). Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, ☎ 2332-2016. Terça e quarta, 21h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 16h (ter. e qua.). Até o dia 18.

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