Dias felizes, de Beckett, e reestreia de Daniel Herz chegam aos teatros
Programação no Rio traz ainda Emilio Orciollo Netto em Também Queria Te Dizer e uma nova adaptação de O Homem da Flor na Boca, de Pirandello

À Vinhad’alhos
A peça do Coletivo Sem Órgãos, escrita e dirigida por Rodrigo de Todos os Santos, se passa durante a pandemia de Covid-19. Três irmãos sofrem a perda da mãe e, impedidos de realizar os ritos fúnebres, decidem prestar uma última homenagem a ela, na casa onde viveram na infância e adolescência. O imóvel não tem documentação, o que faz com que eles tenham que decidir o que fazer com a herança. Em meio a isso, conflitos antigos vêm à tona, em um passeio pelo universo de uma típica família negra e suburbana.
Teatro Correios Léa Garcia. Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro. Qui. a sáb., 19h. Grátis. Ingressos pelo Rio Cultura. De 3 a 26 de abril.
Chá com Tchekhov
Inspirada no universo do dramaturgo Anton Tchekhov, a peça da Cia Fragmentos do Baú, dirigida e escrita por Klever Schneider, se passa no apartamento de uma socialite falida, que será vendido. Para a despedida, ela reúne amigos que não via há muito tempo: um coach influenciador e um motorista de aplicativo. Juntos, eles aguardam um convidado que nunca chega e, enquanto esperam, revivem memórias, revelando dilemas que atravessam gerações.
Espaço Cultural Sérgio Porto. Rua Visconde de Silva, ao lado do 292, Humaitá. Sex. e sáb., 19h. Dom., 18h. R$ 20,00 a R$ 40,00. Ingressos pelo Rio Cultura. De 4 a 27 de abril.
Dias Felizes
Na montagem da Armazém Companhia de Teatro para o clássico de Samuel Beckett, a jornada de Winnie (Patrícia Selonk) é ressignificada. Enterrada até a cintura (e, mais tarde, até o pescoço), a personagem se apega a pequenos rituais para não colapsar. Nessa versão, o silencioso Willie (Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes alternam-se no papel) não é apenas um espectador passivo, e sim ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia. A direção é de Paulo de Moraes.
Espaço Armazém. Fundição Progresso. Rua dos Arcos 24, Lapa. Qui. a sáb., 19h30 Dom., 19h. R$ 40,00 a R$ 80,00. Ingressos pelo Sympla. De 3 a 17 de abril.
O Homem da Flor na Boca
Com direção de Silvia Carvalho, a adaptação da companhia Ópera Prima Teatral para o conto de Luigi Pirandello mostra um diálogo entre o dono de um café ou bar e um cliente. Aparentemente, o homem perdeu o trem, e senta-se a uma mesa para passar a noite. A conversa, que começa superficial, descamba para temas mais profundos, como a vida, a doença e a morte. O homem, que revela enfrentar uma doença terminal, compartilha observações sobre seu cotidiano em tom poético, levando a uma reflexão sobre a importância das pequenas coisas da vida.
Teatro Glauce Rocha. Avenida Rio Branco, 179, Centro. Sex. e sáb., 19h. Dom., 18h. R$ 25,00 a R$ 50,00. Ingressos pelo Sympla. De 4 a 20 de abril.
Marginal Genet
Livremente inspirado em Diário de Um Ladrão, de Jean Genet, e Saint Genet, de Jean-Paul Sartre, o espetáculo, que tem texto e direção de Francis Mayer, se debruça sobre a vida do controverso escritor e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986). A história é contada por meio do relacionamento do artista com quatro personagens importantes em sua vida: o garoto de programa Renê, o comissário da polícia secreta Bernardini, o morador de rua Lucien e a cantora Charlotte Renaux.
Teatro Candido Mendes. Rua Joana Angélica, 63, Ipanema. Sáb., 22h. R$ 25,00 a R$ 50,00. Ingressos pelo Sympla. De 4 a 26 de abril.
Memórias da Superfície
Escrita por Luiza Conde e dirigida por Jefferson Almeida, a peça gira em torno de um personagem dividido entre sua persona virtual, criada para as redes sociais, e seu eu essencial. Enquanto ele enfrenta um embate consigo próprio, essa sátira sombria explora a relação cada vez mais complexa e desumanizante entre os indivíduos e as redes sociais no capitalismo tardio.
Teatro Ziembinski. Rua Heitor Beltrão, s/nº, Tijuca. Qua. e qui., 20h. R$ 20,00 a R$ 40,00. Ingressos pelo Rio Cultura. Até 24 de abril.
Meu Caro Amigo
Com texto de Felipe Barenco e direção de Joana Lebreiro, o monólogo musical traz a professora Norma (Kelzy Ecard), de 60 anos, que decide fazer um show em homenagem a Chico Buarque. Enquanto ela vivia as grandes transformações do país, as canções de Chico sempre a acompanharam: na infância e adolescência, em plena ditadura militar; durante a luta pela redemocratização, com os colegas de faculdade; embalando uma inesquecível história de amor, nas Diretas Já; e durante uma relação familiar conturbada após a partida de sua mãe. São mais de trinta músicas, em que se alternam entre as versões originais e outras cantadas ao vivo por Kelzy, acompanhada pelo pianista João Bittencourt.
Teatro Solar de Botafogo. Rua General Polidoro, 180, Botafogo. Sex. e sáb., às 20h30. R$ 40,00 a R$ 80,00. Ingressos pelo Sympla. De 4 a 19 de abril.
No Front
Cinco personagens estão em uma festa infantil que é interrompida ao ser atingida por uma bomba: um soldado que deseja desertar, uma jovem que sonha com a maternidade, uma mãe que perdeu seu filho, uma enfermeira e um antigo general. Enquanto vão sendo soterrados, eles falam sobre seus sonhos e medos. Com direção de Daniel Herz, o espetáculo tem dramaturgia e atuação de Carol Santaroni, Deborah Sargentelli, Jean Rey, Kaique Bastos e Maria Paula Marin.
Teatro Glaucio Gill. Praça Cardeal Arcoverde, s/n°, Copacabana. Sáb. a seg., 20h. R$ 30,00 a R$ 60,00. Ingressos pelo site da Funarj. De 5 a 28 de abril.
Primeira Pessoa, Dom Casmurro
No ano em que a obra de Machado de Assis completa 125 anos do seu lançamento, o espetáculo ganha adaptação pela roteirista e diretora Aline Bourseau, totalmente focada na questão deixada pelo livro: Capitu traiu Bentinho ou não? O espetáculo parte da premissa de que a narrativa de Bentinho é duvidosa e labiríntica, propondo o tempo todo a dúvida e uma memória falha.
Teatro Vannucci. Shopping da Gávea. Rua Marquês de São Vicente, 52/3º andar. Qua., 20h. R$ 40,00 a R$ 80,00. Ingressos pelo Sympla. Até 30 de abril.
Quarto de Empregada
Escrita por Roberto Freire (1927-2008), em 1958, e dirigida por Lourenço Marques, a peça se passa em um claustrofóbico “quarto de empregada”. Suely, jovem e branca, está grávida e aguarda seu namorado Argemiro, que diz ser militar de carreira e com quem planeja viver. Sua colega de quarto, Rosa, uma idosa negra marcada pelas durezas da vida, percebe a farsa e tenta ajudar Suely, convencida de que Argemiro jamais aparecerá.
Teatro Rogério Cardoso. Casa de Cultura Laura Alvim. Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema. Sex. e sáb., 20h. Dom., 19h. R$ 25,00 a R$ 50,00. Ingressos pelo site da Funarj. De 4 a 27 de abril.
Romeu e Julieta — O Musical
O clássico de William Shakespeare ganha uma abordagem contemporânea, com direção-geral de Anderson Rosa e Luiz Filipe Carvalho. A adaptação traz músicas originais compostas por Gabriel Gravina e Talita Silveira, que também assinam as letras ao lado de Anderson Rosa. O espetáculo é o trabalho de conclusão do curso de prática de montagem do CEFTEM — Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical.
EcoVilla Ri Happy. Rua Jardim Botânico, 1008. Sex., 19h30. Sáb., 20h. Sex., 19h30. Sáb., 20h. R$ 80,00. Ingressos pelo Ingresso.com. De 4 a 26 de abril.
Também Queria Te Dizer — Cartas Masculinas
Essa nova versão do solo, com texto de Martha Medeiros e direção de Victor Garcia Peralta, traz Emilio Orciollo Netto interpretando experiências e descobertas de diversos homens, a partir de sete cartas – seis delas retiradas do best-seller Tudo Que Eu Queria Te Dizer, da autora, e ainda uma inédita, escrita especialmente para o próprio Emílio. De forma tragicômica, ele passa por temas como culpa, traição, orientação sexual, aborto, morte e vida.
Teatro Domingos Oliveira. Planetário. Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100, Gávea. Sex. e sáb., 20h30. Dom., 19h. R$ 25,00 a R$ 50,00. Ingressos pelo Rio Cultura. De 4 a 27 de abril.
Todo Mundo Vai Morrer
Com dramaturgia de Camilo Pellegrini e direção de Breno Sanches, a peça itinerante de comédia e suspense da Coletivo Circular é um jogo do qual público e elenco participam. Dez atores compõem o espetáculo: sete deles são suspeitos da morte de um oitavo e os outros dois, uma delegada e um médico legista, conduzem a investigação. Enquanto os espectadores investigam, para votar naquele que acreditam ser o verdadeiro assassino, eles se esforçam para parecerem menos culpados frente à plateia.
Museu de Arte Moderna (MAM). Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. Sáb. e dom., 18h. Contribuição consciente a partir de R$ 20,00. Reservas pelo e-mail: coletivocircularteatro@gmail.com. De 5 a 27 de abril.
Toulouse — Meu Lugar é Aqui, Montmartre
O espetáculo, escrito por Fátima Valença, transporta o público para a Paris da Belle Époque para narrar o último ano de vida do pintor Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), um dos maiores artistas do século XIX, que morreu com apenas 36 anos devido a uma vida completamente desregrada. Alternando momentos no cabaré, no estúdio e no hospício, a peça mostra a vida do pintor na boemia parisiense e sua relação com figuras como sua mãe, Adele; a dançarina Jane Avril; prostitutas e modelos.
Cidade das Artes. Sala Eletroacústica. Avenida das Américas, 5300, Barra. Sáb., 19h. Dom., 18h. R$ 30,00 a R$ 60,00. Ingressos pelo Sympla. De 5 a 13 de abril.
Violeta Parra Em Dez Cantos
A multiartista chilena Violeta Parra (1917-1967), marcada pela valorização da cultura de seu país — ela foi uma importante pesquisadora da música tradicional do Chile — e pela luta contra as injustiças sociais. Com texto de Luís Alberto de Abreu e direção de Luiz Antônio Rocha, o espetáculo traz a atriz Rose Germano no papel de Violeta. A narrativa é costurada por canções da artista, que a atriz interpreta ao lado do violonista Luciano Camara, como Gracias a la Vida, imortalizada nas vozes de Mercedes Sosa e Elis Regina, e Volver a los 17, famosa na gravação de Mercedes Sosa e Milton Nascimento.
Teatro Gláucio Gill. Praça Cardeal Arcoverde, s/n°, Copacabana. Qui. e sex., 20h. R$ 30,00 a 60,00. Ingressos pelo site da Funarj. De 3 a 25 de abril.
Visitando Camille Claudel
A peça, livremente inspirada na vida e na obra da genial escultora francesa Camille Claudel (Adriana Rabelo), traz passagens marcantes da sua vida: a infância, o auge em Paris, a conturbada história de amor com o também escultor Rodin (24 anos mais velho), o isolamento e sua internação. Ousando ser artista em uma época em que isso era considerado um privilégio masculino, sofreu com o preconceito da sociedade patriarcal, e acabou internada involuntariamente, durante trinta anos, em um manicômio, de onde jamais saiu.
Teatro Laura Alvim. Av. Vieira Souto, 176, Ipanema. Sex. e sáb., 20h. Dom., 19h. R$ 30,00 a R$ 60.00. Ingressos pelo site da Funarj. De 4 a 27 de abril.
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