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Crítica: Boca de Ouro é marco na carreira de Gabriel Villela

Excelente espetáculo transporta clássico de Nelson Rodrigues para o universo carnavalesco

Por Renata Magalhães - 25 jan 2018, 11h00

 Boca de Ouro. Sucesso de crítica desde a estreia, em 1992, a encenação de Romeu e Julieta marcou a trajetória do Grupo Galpão ao transpor o clássico de Shakespeare para o universo circense. Diretor daquela montagem, Gabriel Vilela se arrisca novamente ao revestir de atmosfera carnavalesca o conhecido texto de Nelson Rodrigues. Cercado de cuidados estéticos impecáveis, da cenografia simples aos extravagantes figurinos de sua autoria, Vilela esbanja criatividade. Seus muitos acertos incluem detalhes como, entre outros, o dedilhar dos atores nas mesas reproduzindo o som de máquina de escrever e as taças de vidro transformadas em telefone. No equilibrado elenco, Malvino Salvador empresta bem-vindas nuances ao protagonista. Também sobressaem Chico Carvalho, em especial na pele da grã-fina Maria Luisa, e Mel Lisboa, como a galhofeira e dramática Celeste. Com amplos toques satíricos, o drama acompanha a(s) história(s) do bicheiro conhecido como Drácula de Madureira, que arrancou todos os dentes e trocou-os por próteses de ouro. Como o clássico que é, a peça traz discussões atuais, a exemplo do papel da mulher em uma sociedade machista, e, nesta feliz adaptação, ainda flerta com o gênero musical: em cena, os atores cantam (muito bem) sucessos da música brasileira (110min). 14 anos. Sesc Ginástico. Avenida Graça Aranha, 187, Centro. Sexta e sábado, 19h; domingo, 18h. R$ 30,00. Até 25 de fevereiro.

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