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As lições de 2016

Em artigo exclusivo para VEJA RIO, o diretor do Comitê Olímpico Brasileiro, Marcus Vinicius Freire, demonstra como a Olimpíada do Rio lançou as bases para a criação de futuros campeões do país

Por Sofia Cerqueira - Atualizado em 5 dez 2016, 11h07 - Publicado em 22 ago 2016, 14h13

Diretor-executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e medalha de prata nos Jogos de Los Angeles de 1984 pelo vôlei, Marcus Vinicius Freire é um das principais estrategistas da campanha que nos trouxe 19 medalhas, sete delas de ouro, no Jogos do Rio. Melhor desempenho do país desde sua primeira participação, em 1920, nos jogos de Antuérpia, na Bélgica, a atual safra de pódios, entretanto, ficou ligeiramente aquém do esperado. A proposta inicial, do COB era fechar a competição entre as dez potencias esportivas do mundo. Ficamos em 12º. No entanto, tal classificação em nada diminui o brilho de nossos atletas e a capacidade de transformarmos jovens, muitos deles de origem humilde, em campeões. Abaixo, publicamos um texto escrito por Freire com exclusividade para VEJA RIO sobre o grande legado da Rio 2016, que tanta alegria trouxe aos brasileiros e cariocas. Para ele, o que fica de relevante é nossa capacitação para avançar ainda mais no futuro na formação de nossos atletas.

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Maravilhosa, olímpica e dourada

Marcos Vinicius Freire

Por ser esta a 12ª Olimpíada que tive oportunidade de assistir, poderia discutir as conquistas de infraestrutura da cidade em perspectiva ao que vi nos vários eventos em que presenciei mundo afora. No entanto, ao discutir a herança que fica para o Rio, prefiro me ater apenas aos benefícios esportivos, que relaciono a seguir.

Autoestima. No dia 02 de setembro de 2009, com a vitória da campanha brasileira, em Copenhagen, mudou, para sempre, a visibilidade do país e do Rio.  Lá, também deixamos para trás o nosso complexo de vira-lata. O sucesso na organização da Olimpíada aqui só ampliou esse sentimento. A autoestima dos brasileiros e cariocas ganhou contornos épicos.

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Legado profissional. O Brasil tem hoje profissionais muito qualificados, em todos os setores do esporte. Também firmamos o conceito de equipes multidisciplinares para condução de atividades de alta performance. Com a criação do Instituto Olímpico Brasileiro, braço de educação do COB, foram formados mais de 200 gestores esportivos e aperfeiçoados 300 treinadores de alto rendimento. Os frutos desse trabalho certamente aparecerão, em futuro próximo. 

Legado de conhecimento. A movimentação natural, em torno de um ciclo olímpico, deu uma visibilidade inédita às 42 modalidades do programa dos Jogos. A maioria dos brasileiros passou a se interessar por algumas modalidades pouco praticadas por aqui, como o badminton, no projeto da Favela do Chacrinha.

Instalações. Sete anos de investimentos proporcionaram centros de treinamento e instalações esportivas espalhadas por todo o país. A cereja do bolo, naturalmente, ficará aqui, no atual Parque Olímpico da Barra e em Deodoro, o que permitirá que tenhamos condições de atrair novos atletas e grandes competições.

Turismo esportivo. Com estruturas de nível olímpico e profissionais qualificados, somados aos mais de 50 000 voluntários treinados, o Rio tem tudo para se tornar a “Capital Mundial do Turismo Esportivo”, captando eventos, em conjunto com atrações e belezas que só a cidade possui.

Presença feminina. Um legado lindo, personalizado em Rafaela Silva, com seu ouro. Mulher, negra, criança pobre e sofrida, nascida na Cidade de Deus, treinou na Rocinha, cresceu com apoio de um projeto social, ou seja, é o símbolo da superação no Rio

Graças a visionários que acreditaram na Olimpíada, nossa Cidade Maravilhosa mudou de qualificação: a partir de agora ela é também pode ser chamada de Olímpica e Dourada.

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