Rio recebe dois grandes eventos para amantes de games

Cidade vai abrigar, em abril, dois grandes eventos ligados a jogos eletrônicos, que prometem atrair em torno de 130 000 interessados

Visitantes do Brasil Game Show, em São Paulo, no ano passado: simuladores também serão oferecidos no Brasil Game Cup, filhote carioca da feira

Visitantes do Brasil Game Show, em São Paulo, no ano passado: simuladores também serão oferecidos no Brasil Game Cup, filhote carioca da feira (Frank Rocha/Divulgação)

No pujante mercado internacional de games, o Brasil ainda pesa pouco, tem 1,3% de participação. Mas não se engane: essa porcentagem equivale a 1,3 bilhão de dólares por ano, uma montanha de dinheiro. De acordo com a Newzoo, empresa multinacional de pesquisa, inteligência e marketing, a América Latina é a segunda região em que o consumo mais cresce no segmento — perde apenas para o Sudeste Asiático —, tem o país como líder, e a 12ª colocação no ranking mundial, com seus 59,2 milhões de jogadores. Na corrida digital nacional, São Paulo e Minas ainda estão na frente, mas o Rio começa a tirar a vantagem dos estados vizinhos. No próximo mês, a propósito, a capital carioca vai virar capital dos games, na condição de sede de dois eventos de grande porte. Profissionais e diletantes desse universo aguardam ansiosos pela Brasil Game Cup, que acontece de 7 a 9 de abril, no Centro de Convenções SulAmérica, e pelo Geek & Game Rio Festival, escalado para o Riocentro, entre os dias 21 e 23.

Criado em 2009, em Niterói, o Brasil Game Show cresceu, ganhou três edições cariocas, cinco em São Paulo e volta ao Rio com uma subdivisão que promete atrair 40 000 pessoas: trata-se da Brasil Game Cup, competição nacional de e-sports, modalidades eletrônicas disputadas com simuladores. Já no terceiro lote, os passaportes à venda dão direito aos três dias e custam 118 reais (a entrada diária sai por 59 reais). A ideia é transformar o Centro SulAmérica em um playground para crescidos. Estão previstos concursos de cosplay, exposição sobre a história do videogame, corrida de drone e um reality show no qual desenvolvedores serão confinados por 48 horas para criar jogos e submetê-los à avaliação do público. Atração principal, as provas serão transmitidas on-line, com cobertura pelo YouTube, pelo Twitter e pelo canal Esporte Interativo — sim, como nas partidas de futebol da Liga dos Campeões. Estão em jogo prêmios de até 18 000 reais. “Nosso modelo tem como alvo o consumidor final. É um público apaixonado, que madruga para não perder as novidades”, conta Marcelo Tavares, idealizador do Brasil Game Show e, claro, um aficionado: seu acervo de mais de 4 000 jogos abastece a exposição.

Ingrid Barros e Nicolle Merhy: presença feminina entre os competidores do Geek & Game Rio Festival

Ingrid Barros e Nicolle Merhy: presença feminina entre os competidores do Geek & Game Rio Festival (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

Na segunda quinzena de abril, o feriado de Tiradentes, no dia 21, marca a abertura do primeiro Geek & Game Rio Festival. Projeto da Fagga GL Events Exhibitions, empresa que administra o Riocentro e tem no currículo a organização da Bienal do Livro, o evento também abre as portas para amantes de quadrinhos, filmes e séries de TV. Com esse leque mais amplo, espera-se a visita de 70 000 pessoas. “Percebemos um público carente desse segmento nas últimas edições da Bienal e pesquisas apontaram o forte potencial do Rio”, explica Tatiana Zaccaro, diretora do festival. Os ingressos custam 50 (a diária) e 120 reais (passaporte para os três dias). Uma arena especial será construída para as provas, que ganham narração profissional. Outras apostas da produção são sessões de meet & greet — encontros de fãs e ídolos — e palestras que prometem aproximar o público de nomes como o designer americano Tim Schafer (Monkey Island e Full Throttle, entre outros games clássicos) e o ilustrador David Lloyd, criador da série V de Vingança e da notória máscara de Guy Fawkes (veja o quadro ao lado).

Esqueça o arquétipo do adolescente nerd — o perfil dos quase 60 milhões de brasileiros munidos de manete e botões variados, e prontos para usá-los, mudou bastante. Realizada em 2016 por três empresas brasileiras, entre as quais a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a Pesquisa Game Brasil ouviu 2 848 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal. Desse trabalho emergiu um retrato dos gamers cariocas. Trata-se de uma turma mais velha, em sua maioria na faixa dos 35 aos 54 anos, com renda entre 2 000 e 5 000 reais, dos quais 36,4% moram com os filhos — que, é claro, são parceiros (ou rivais) diante da tela. As mulheres estão tomando conta. Elas são 52,6% do público em âmbito nacional e, no Rio, 44,8%. “Ainda temos de lutar contra o preconceito”, diz Nicolle Merhy, a única jogadora profissional de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege da América Latina. Assim como ela, a carioca Ingrid Barros, destaque na modalidade Counter Strike Global Offensive, também competirá no Geek & Game Rio Festival. Vai encarar? ß

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