Pele Project quebra a internet com fotos de famosos e anônimos nus

Projeto em nome da igualdade e autoaceitação vira exposição e livro. Celebridades como Sabrina Sato, Flávia Alessandra e Reynaldo Gianecchini já posaram

Xuxa mostra o dedo do meio e, com a outra mão, segura a região genital na foto em preto e branco que decora o apartamento do fotógrafo Brunno Rangel, autor do clique, e do diretor criativo Marcelo Feitosa, na Barra da Tijuca. Foram eles os responsáveis por estampar a rainha dos baixinhos com blusa transparente, sem sutiã, na capa da revista de arte WOW, projeto autoral do casal com impressão sob demanda. A publicação também já exibiu o ator Otaviano Costa de batom, Bruna Marquezine sem roupa e Reynaldo Gianecchini em uma banheira de espuma. “A gente quer impactar as pessoas com um trabalho que foge do padrão estético dos editoriais. Pregamos a liberdade e a exposição de ideias, sem impor nada, porque a sociedade já vive uma guerra de quem tem mais opinião”, afirma Feitosa. Dois anos após o lançamento da revista, estava na hora de subverter a ordem novamente. Nestes tempos de “manda nudes”, a dupla começou, em 2017, o Pele Project, dedicado a ensaios fotográficos de nus com homens e mulheres de variados pesos, cores e medidas — anônimos e famosos. Tudo sem Photoshop. “A ideia é mostrar que, mesmo com as nossas diferenças, somos todos iguais. Por baixo da roupa, somos todos pele”, reflete Rangel.

Marcelo Feitosa (à dir.) e Brunno Rangel: os criadores do projeto

Marcelo Feitosa (à dir.) e Brunno Rangel: os criadores do projeto (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

Delicadas e poéticas, as fotos em preto e branco no Instagram do projeto, que já soma quase 35 000 seguidores, revelam detalhes como veias, sardas, tatuagens, cicatrizes, estrias, dobras e curvas de personalidades do naipe de Sabrina Sato e Reynaldo Gianecchini. Os dois toparam o desafio de se despir depois de posar para a WOW. O clique de maior repercussão até agora, com mais de 9 000 curtidas, é o da atriz Juliana Caldas, que interpretou a filha rejeitada da personagem de Marieta Severo em O Outro Lado do Paraíso. “Fiquei com medo de aceitar o convite, porque infelizmente tudo o que os anões fazem tem o rótulo de cômico. Mas topei e foi incrível. Trabalhou a minha autoestima. Eu pus na cabeça que quero ser feliz”, conta Juliana. Entre as personagens anônimas está a atendente de telemarketing Amanda de Carvalho, 22 anos, que teve 60% do corpo queimado ao tentar salvar a irmã de labaredas provocadas pelo próprio pai. “Essa menina se ama. Ela foi mais desinibida e segura do que qualquer famosa que fotografamos. Fiquei bastante emocionado”, revela Rangel. “Já pesei 120 quilos e sei que é muito frustrante perseguir o corpo perfeito quando o perfeito não existe. O projeto é catártico, porque mostra que todo mundo é belo em alguma medida”, diz ele.

Flávia Alessandra, Priscila Fantin, Agatha Moreira, Vitor Fasano e Bruno Chateaubriand também posaram para a iniciativa, bem como um rapaz com vitiligo, outro que é paraplégico e ainda um terceiro com uma das pernas amputada. Há também uma mulher que venceu o câncer de mama e passou por uma mastectomia. A dupla convida amigos e procura perfis de gente interessante na internet para participar dos ensaios. Alguns se oferecem espontaneamente. É o caso da atriz Samara Felippo, que entrou na fila — ela e mais setenta pessoas estão à espera dos cliques. A dupla tem um acervo de 150 imagens, mas até junho serão mais de 200. Com essa coleção, os criadores planejam organizar uma exposição (no Rio e em São Paulo) e o lançamento de um livro, ambos até o fim do ano. “A noção de culpa e pecado que sempre acompanhou a nudez desde a expulsão de Adão e Eva do paraíso vem sendo enterrada. Com a internet, o nu passou a ser usado como meio de chamar atenção para causas”, explica a historiadora Mary Del Priore. Não à toa, o Pele Project é uma entre muitas iniciativas de nudez com atitude na rede. Outros exemplos são o Apartamento 302, do fotógrafo Jorge Bispo, preocupado em retratar a mulher como ela é, e o 365 Nus, de Fernando Schlaepfer. A regra é clara: despir-se de estereótipos e preconceitos e se vestir de respeito e aceitação.

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