Martinho declara seu amor pela Vila Isabel

O cantor e compositor afirma, no entanto, que sua relação trata-se de um casamento arranjado com final feliz

Martinho da Vila

 (Daryan Dornelles / Veja Rio/)

O sambista Martinho José Ferreira, 79 anos, é da Vila Isabel, mas já foi da Boca do Mato. Mais do que paixão à primeira vista, o cantor e compositor define sua experiência como um casamento arranjado com final feliz. Os primeiros passos por terreiros e sambas-enredo foram em uma obscura agremiação já extinta da região do subúrbio entre o Méier e o Engenho de Dentro. Por lá, revelou-­se, além de compositor de mão-cheia, dedicado faz-­tudo. Os bons serviços prestados inspiraram o convite feito em 1965 por Antonio Fernandes da Silveira, o seu China, fundador e primeiro presidente da Vila Isabel. O garoto chegou à nova casa sem disfarçar o desejo de engrossar a ala dos compositores, mas havia um ritual a cumprir. “Exigiram que eu apresentasse um samba e, dependendo do que achassem, eu poderia não ficar”, lembra. Foi aprovado por seus novos colegas com Boa Noite, composição que diz assim em seus primeiros versos: “Boa noite, Vila Isabel / Quero brincar o Carnaval / Na terra de Noel / Boa noite, diretor de bateria / Quero contar com sua marcação / Boa noite / Sambistas e compositores / Presidente, diretores / Pra Vila eu trago / Toda minha inspiração”. O estilo menos empolado e mais coloquial foi uma das suas muitas contribuições para o Carnaval. Nos quatro anos seguintes à sua chegada, o compositor emplacou quatro sambas-enredo. Vencidas as desconfianças iniciais, já era Martinho da Vila, sempre chamado a opinar, hoje na qualidade de presidente de honra da escola. “Fiz de tudo na Vila, mas o momento mais intenso foi em 1988, no desfile de Kizomba, a Festa da Raça. Empenhei meu nome na praça, pedi favores que devo até hoje, e vencemos”, conta o sambista, com um sorriso no rosto, ao lembrar o primeiro título da Vila Isabel. Curiosamente, o enredo campeão, sugestão de Martinho, ganhou samba de outro “da Vila”, Luiz Carlos (craque da Vila da Penha, morto em 2008), em parceria com Rodolpho e Jonas. Na vitória mais recente, em 2013, o presidente de honra aparece entre os autores de A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo. Como em toda relação, o enlace de 52 anos e doze sambas na avenida enfrentou altos e baixos: ele só deixou de desfilar três vezes. “Foram rusgas que, graças a Deus, nem lembro mais”, despista, com jeito de pierrô apaixonado.

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