Livro conta a história do esporte no Rio de Janeiro

A publicação promove uma verdadeira viagem ao passado e lembra da origem de modalidades como o turfe, o futebol, o remo e a vela

No início do século XIX, para matar a saudade de casa, ingleses radicados em terra carioca costumavam promover corridas de cavalo nas areias da Praia de Botafogo. Esse foi o mais antigo registro de competições esportivas realizadas na cidade encontrado por Victor Melo, professor da UFRJ e autor do recém-lançado Rio Esportivo (Casa da Palavra; 208 páginas; 79,90 reais). No livro, fartamente ilustrado, ele revela, por meio de episódios como o dos cavaleiros ingleses, que a cidade-sede dos Jogos de 2016 tem uma antiga, fértil e intensa relação com o mundo do desporto. “O que fica claro é que o esporte é determinante na formação da identidade do carioca ainda hoje, como se nota em sua relação com o corpo e a paisagem”, diz Melo, que também é membro da pós-graduação em história comparada no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e da Escola de Educação Física e Desportos. Do hipismo à beira-mar às práticas praianas mais comuns nos dias de hoje, muitos cantos do Rio serviram de cenário para as mais variadas atividades.

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A leitura de Rio Esportivo deixa claro que a geografia da cidade é um convite à realização de exercícios. Quando o hábito do banho de mar começou a se difundir, por exemplo, aulas de natação passaram a ser oferecidas na Baía de Guanabara. Os praticantes eram levados em uma barca até o meio do mar para dar suas braçadas. “Sem a baía, o esporte por aqui não teria sido o mesmo. O mar foi fundamental, especialmente nas praias do Centro”, conta Victor Melo. Hoje tão badaladas, as bicicletas começaram a circular pelo Rio em 1875 — a chegada dos primeiros modelos causou verdadeiro alvoroço e logo se formaram clubes de ciclismo. O livro resgata costumes extintos por aqui, como as touradas, a chegada dos primeiros jogos com bola, a exemplo do futebol, uma invenção inglesa, e curiosidades hoje esquecidas. Uma história extravagante aconteceu na década de 20 do século passado, no elegante Gávea Golf Club. Na falta de um animal apropriado para praticar a caça à raposa, associados escalaram um funcionário do clube para o papel. Mais politicamente incorreto, impossível.

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Algumas áreas do Rio mantêm a vocação esportiva, não importa a modalidade que abriguem. “O local onde foi construído o Maracanã antes sediava o Derby Club, o mais importante palco de corridas de cavalo no Rio até então”, lembra o autor. A expansão dos bairros da Zona Sul no início do século provocou a alteração dos costumes e, consequentemente, do perfil das atividades. Na década de 60, surgiram o surfe e, posteriormente, o voo livre. De forma geral, o esporte passou por um processo de profissionalização e o comportamento dos praticantes mudou. A realização dos Jogos de 2016 traz a promessa da criação de espaços para a formação de talentos. O Parque Olímpico, na Barra, por exemplo, deixará cinco enormes ginásios, na área onde se encontrava o Autódromo de Jacarepaguá. “A experiência do Pan-Americano, em 2007, mostrou que poucas estruturas foram usadas depois. Temo que as novas instalações não venham a cumprir seu papel, mas, é claro, torço pelo contrário”, conta Melo. Discussões sobre o legado são importantes, e pelo menos um ponto não deixa margem a dúvidas: a partir de 5 de agosto, quando 10 000 atletas espalhados pela cidade iniciarem a disputa do topo do pódio em 42 modalidades, um novo e grandioso capítulo dessa longa história de amor entre o Rio e o esporte começará a ser escrito.

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