Haroldo Costa declara seu amo ao Salgueiro

O ator e escritor ainda se recorda do desfile que o deixou completamente apaixonado pela vermelho e branco

Haroldo Costa

 (Daryan Dornelles / Veja Rio/)

Um jovem ator no fim da década de 50, Haroldo Costa teve seu primeiro contato com o universo das escolas de samba em grande estilo: assistiu, durante inesquecível noite de sábado, às vésperas do Carnaval, a um ensaio da Mangueira. Nas imediações da Rua Visconde de Niterói, conheceu dois dos maiores compositores da agremiação, Carlos Cachaça (1902-1999) e Cartola (1908-1980), além do lendário mestre-sala Delegado (1921-2012). Encantado, voltou outras vezes, passou a frequentar o bar Só para Quem Pode, cujo nome explica tudo, e caminhava a passos largos para se tornar um fiel torcedor da verde e rosa. A escolhida, no entanto, foi outra. Em 1963, Costa integrava a comissão julgadora dos desfiles de Carnaval. A luz da manhã começava a espantar a madrugada de domingo quando passistas da Acadêmicos do Salgueiro ganharam a Avenida Presidente Vargas. O enredo do carnavalesco Arlindo Rodrigues (1931-1987), sobre Xica da Silva, a ex-escrava de Minas Gerais que fez fama e fortuna, materializou-se em um desfile histórico, com ousadias como uma ala que dançava o minueto em meio à batucada.

“A escola entrou às 5 e meia. Ainda guardo a imagem do desfile, com a Candelária no cenário e o sol nascendo. Não consegui aguentar. Quando acabou, avisei que não poderia mais participar do júri. Virei salgueirense naquele momento”, lembra. Haroldo Costa, 86 anos, tornou-se um respeitado escritor, produtor cultural e estudioso do samba, requisitado para ser comentarista a cada Carnaval. A paixão tijucana rendeu os livros Salgueiro: Academia de Samba (1984) e Salgueiro — 50 Anos de Glória (2003). “Nossos enredos mais marcantes são sobre a história não oficial do Brasil. Até inspirar o desfile de 1960, por exemplo, Zumbi dos Palmares não era lembrado. Hoje está no Panteão dos heróis do país”, diz, orgulhoso. Dessa longa relação de amor, resta uma única tristeza. Ele lamenta nunca ter tocado agogô na Furiosa, nome pelo qual é conhecida a bateria da vermelho e branco. “Não pude me dedicar o suficiente e não atrapalharia minha escola por nada”, explica.

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