Fundação Cidade das Artes aposta em nova programação

Objetivo é atrair público entre as 400 000 pessoas que circulam pelo entorno do espaço, na Barra

Entre avenidas movimentadas, mergulhões e a pista do BRT, o endereço parece uma ilha cercada de asfalto por todos os lados. Aliás, desde o início da construção monumental naquele ponto da Barra, paira a dúvida: seria o lugar meio contramão? André Marini assegura que não, e, agora, vai ter a oportunidade de provar seu argumento. Novo presidente da Fundação Cidade das Artes, nomeado pela secretária de Cultura do município, Nilcemar Nogueira, o experiente profissional de marketing e eventos assumiu o comando do gigante de concreto projetado pelo arquiteto francês Christian de Portzamparc. Com mudanças na programação, ele pretende conquistar visitantes entre as mais de 400 000 pessoas que, segundo seus cálculos, passam pelas redondezas todos os dias.

Portzamparc, o criador da incensada Cité de la Musique, em Paris, elogiou desde o início a localização de seu projeto carioca, “no coração geométrico da Zona Oeste da cidade”. A falta de estrutura no entorno, porém, deixava a Cidade das Artes um tanto longe de tudo. Marini observa que as coisas mudaram. Após a inauguração da Linha 4 do metrô, e sua integração com o BRT, o tempo de viagem da Zona Sul até o complexo reduziu-­se drasticamente. “Dependendo de onde você está, é mais rápido vir da Zona Sul para cá do que ir até a Praça Mauá”, compara. Para quem chega de transporte público, o desembarque no Terminal Alvorada leva a uma passagem subterrânea que dá acesso direto à entrada da Cidade das Artes. Aqueles que não dispensam o carro encontram 750 vagas de estacionamento. “Vamos apresentar atrações convidativas para trabalhadores que esperam o BRT na nossa porta todas as tardes e mostrar que moradores de outras regiões podem se deslocar até aqui com facilidade”, afirma o novo presidente.

Acessível, de fato, o suntuoso centro cultural agora precisa ficar mais atraente. “Sou morador da Barra e ficava triste em ver uma programação que pecava pela falta de assiduidade”, lembra. Munido de pesquisas de opinião, André Marini quer atingir um público variado, que vai da classe média e alta dos condomínios vizinhos a cidadãos das zonas Norte e Oeste, que sofrem com a falta de opções culturais. Uma inspiração, para ele, é o Imperator — Centro Cultural João Nogueira, no Méier, hoje destino de 70 000 visitantes por mês. Um primeiro pacote de programação para todas as idades foi batizado de Festival de Outono (veja o quadro). Na tarefa de preencher a agenda da casa, o presidente conta com a atriz Bel Kutner, convidada a ocupar a função de diretora artística. “Em 2015, fiz temporada com a peça Hilda e Freud e me apaixonei pelo lugar. Procurei conhecer cada possibilidade do espaço e sempre tive vontade de desenvolver algo maior por aqui”, diz ela.

Marini foi presidente da Rio Eventos, também ligada à prefeitura, e acompanhou de perto a efervescência na cidade durante a Olimpíada. Empossado no cargo de subsecretário de Cultura, tornou-se responsável pela administração dos 64 equipamentos culturais do município. Teve, então, o propósito de ficar à frente de um deles, para experimentar bem de perto problemas e soluções do dia a dia. Foi escolher logo o maiorzinho. Desde que ainda era apenas uma ideia mirabolante, a Cidade das Artes, inaugurada em 2013, foi bombardeada. Críticas a seu orçamento inflado, ao atraso nas obras, à localização e à programação ecoaram porque eram, quase sempre, procedentes. O antecessor de Marini, Emilio Kalil, presidente da fundação durante a gestão de Eduardo Paes, começou devagar, mas chamou atenção, e bom público, em 2014. O gestor atual pretende preservar grandes eventos, como o Back 2 Black e o Festival do Rio, além de buscar formas de ocupação total. Tem pela frente um desafio do tamanho da Cidade das Artes, com seus 67 000 metros quadrados de área construída.

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