Execrado em 2017, Muralha tem apoio de amigos para volta em 2018

Após auge e convocação para a seleção, goleiro do Flamengo acumula falhas e termina 2017 em baixa, mas tem torcida para retorno

Ele nasceu na cidade mineira de Três Corações, veste a camisa de um grande time de futebol brasileiro e já foi convocado para a seleção. Mas não, não é o Pelé. Com trajetória bem diferente da trilhada por seu conterrâneo ilustre, eleito “o atleta do século” em 1981, Alex Muralha, após momentos de brilho como goleiro do Flamengo, not­abilizou-se por trapalhadas em campo que, com frequência, resultaram em gol do adversário. A torcida não perdoou. Rubro-negros antes encantados com o ídolo, que chegou a ser convocado para a seleção brasileira pelo técnico Tite, passaram a vaiá-lo sem parar. Ataques se multiplicaram nas redes sociais e ao vivo. Em novembro, o jogador teve de receber escolta armada para poder embarcar em um voo no Galeão — “Policiais com arma de guerra em volta de mim; ali eu pensei: ‘Poxa, por que isso?’ ”, desabafou, em entrevista recente à TV Globo. Não menos impiedosas, as hostes rivais transformaram o inferno astral do goleiro do Fla em inspiração para piadas intermináveis. Quando você pensar em reclamar do que sofreu em 2017, lembre-se do Muralha.

 (Veja Rio/Veja Rio)

Alex Roberto Santana Rafael, 28 anos, iniciou a carreira no pequeno Tricordiano, time de sua terra natal. Passou uma temporada no futebol paranaense e a seguir foi para o Comercial de Ribeirão Preto, onde jogou de 2011 a 2013 e teve projeção. Foi vendido para o Japão, voltou ao Brasil um ano depois e vestiu o uniforme do Figueirense, de Santa Catarina, antes de ser contratado pelo Flamengo com grande cartaz, em 2016. No Comercial, ganhou o apelido transformado em sobrenome. Quem batizou o goleiro foi um torcedor. Alex havia feito uma partida irretocável no clássico local entre Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto. Em ótima forma, evitou um gol de pênalti e, em seguida, no rebote, praticou a chamada “defesa milagrosa”. Em outra partida, contra a Ponte Preta, o goleiraço agarrou dois pênaltis. Entusiasmado, o líder de torcida Giovano de Jesus confeccionou uma grande bandeira estampada com o rosto barbudo do ídolo e o epíteto “O muralha”. A admiração de Giovano ainda resiste. “Nunca vi alguém honrar tanto a camisa de um time. Dava a cara a tapa nas derrotas e era o único que vinha conversar com a gente”, lembra o fã. Marco Tedeschi era preparador de goleiros quando Muralha atuou no Figueirense. Lembra-se do atleta como um talento promissor e confirma que ele tinha especial vocação para defender pênaltis. “Quando nos encontramos no Figueirense, a confiança era seu forte. Não sei o motivo desta fase, mas ele não esqueceu como se joga”, garante.

A “fase” mencionada pelo preparador Tedeschi corre sério risco de se tornar o último capítulo da passagem de Alex Muralha pelo Flamengo. Afastado até do banco de reservas, o atleta está esfriando a cabeça em Paris, com a mulher, a musa fitness Tayrine Seifert, enquanto não começa a temporada de 2018. Poucos apostam em sua permanência no clube carioca, e já foram ventiladas sondagens de clubes como o japonês Vegalta Sendai e o mexicano Pumas. O jogador conta que a morte da avó, muito próxima dele, o desestabilizou. O titular absoluto, convocado pela seleção, enfileirou uma série de erros bizarros no gramado até ser afastado. Fora de campo, mais problemas, tão variados e desagradáveis quanto um flagrante de gato de luz em sua mansão na Barra ou a falsa vinculação do nome da noiva a imagens em site pornô. Antonio Carlos Milano, o Tomires, ex-goleiro e funcionário do Comercial de Ribeirão Preto, relembra dois contatos por telefone com o pupilo Muralha. Em setembro de 2016, com o garoto brilhando no Flamengo e convocado pela seleção, a prosa foi divertida, repleta de recordações boas. Um ano depois, o papo foi rápido, frio, distante. “Cadê o Muralha? Era como se não fosse ele na segunda ligação”, conta Tomires. Amigos e torcedores de bem, não importa o time, esperam que Muralha se reencontre em 2018.

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