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Quarentena em Londres: ‘A ficha parece ainda estar caindo’

Joanna Moura conta que lá o clima segue "keep calm and carry on": 'Se pros ingleses vai ser difícil parar de socializar, imagine pros cariocas'

Por Carolina Barbosa - Atualizado em 20 mar 2020, 20h22 - Publicado em 20 mar 2020, 20h18

No ano em que o Reino Unido dissolveu o seu casamento com a União Européia e, de quebra, o Príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle, resolveram dar o pé na bunda da Família Real, achei que 2020 já tinha aprontado tudo o que tinha que aprontar com os britânicos. Eis que março nem terminou e somos atropelados por uma nova crise sem precedentes, maior e muito mais séria do que mil BREXITs e MEXITS combinados.

Há semanas, acompanhamos o drama dos nossos vizinhos Europeus na tentativa de conter o vírus. Itália parada, Espanha tomando medidas drásticas, Portugal fechando portas e escolas. Aqui a ficha parece ainda estar caindo. O Primeiro Ministro Boris Johnson – alçado ao poder recentemente pelo Partido Conservador – tem recebido duras críticas por suas medidas tidas como brandas demais no combate à pandemia.

Ruas de Londres: mais vazias, mas com movimento Joanna Moura/Arquivo pessoal

Nos últimos dois dias, museus, teatros, cinemas e atrações turísticas fecharam suas portas e cancelaram eventos, mas ainda é possível circular pelas ruas. Pubs ainda estavam abertos até ontem. Boa parte das lojas de conveniência ainda estão em funcionamento e os restaurantes continuam oferecendo entrega em casa. Numa saída para comprar os itens essenciais para o fim de semana, dei de cara com a feira de rua do meu bairro em pleno funcionamento. Mais vazia que o habitual, mas ainda assim em operação.

A verdade é que o burburinho da cidade parece estar gradualmente se aquietando. A pandemia conseguiu fazer os ingleses falarem mais baixo do que o já quase inaudível habitual e ampliou ainda mais o raio ao redor de cada passante na rua. Mas, de forma geral, o clima parece refletir a máxima britânica “Keep calm and carry on” (“Mantenha a calma e siga adiante”), uma espécie de mantra pensado durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de manter a ordem social na terra da rainha em caso de invasão inimiga.

“Vida normal”: gente na calçada e carros na rua Joanna Moura/Arquivo pessoal

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, Boris Johnson foi questionado por jornalistas sobre quando pretendia tomar medidas mais radicais. Em resposta, o Primeiro Ministro disse que é impossível proibir toda forma de socialização. Se pros ingleses vai ser difícil parar de socializar, imagine pros cariocas.

*Joanna Moura é baiana de nascimento, criada no Rio e atualmente radicada em Londres, publicitária e autora do blog Um ano sem Zara. Em depoimento a Carolina Barbosa.

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