Boneca L.O.L. torna-se fenômeno de vendas entre a criançada

Objeto de desejo entre as meninas, a miniatura tem modelos que custam até 1 000 reais

Ela é, literalmente, a bola da vez. Vendida dentro de uma esfera de plástico, com menos de 10 centímetros de altura, uma bonequinha importada virou o item mais disputado nas lojas de brinquedos. Trata-se da L.O.L., sigla de Little Outrageous Littles. A criação da fabricante californiana MGA Entertainment, representada no Brasil pela Candide, foi lançada por aqui no ano passado, com versões que vão de 79,99 reais, o modelo mais simples, a 999,99 reais, o kit com cinquenta apetrechos. Desde então, a miniatura, sucesso mundial de vendas, encabeça a lista de presentes para meninas na faixa etária dos 4 aos 10 anos. Foi o artigo mais comercializado no primeiro trimestre deste ano na rede Ri Happy, com treze endereços na cidade, e representa cerca de 16% do total do faturamento da ToyBoy, cadeia com catorze pontos no Rio. “Ela não emite nenhum barulho, não se mexe, não faz nada de mais. Apesar de não trazer nenhum valor agregado que justifique o preço, entrega aos pequenos consumidores emoção, exatamente o que essa geração atual procura”, explica Júlio Ezagui, diretor da ToyBoy e presidente da Associação dos Lojistas de Brinquedos do Brasil.

Em destaque na Ri Happy: a L.O.L. foi o brinquedo mais vendido no primeiro trimestre de 2018

Em destaque na Ri Happy: a L.O.L. foi o brinquedo mais vendido no primeiro trimestre de 2018 (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

Como as figurinhas de um pacote, que as crianças só sabem quais são depois de abri-lo, a bonequinha só pode ser descoberta após sete camadas de embalagem. Funciona assim: a primeira dá uma dica do modelo. A seguir, surgem adesivos e itens como garrafinhas, sapatos e roupinhas, até que, por fim, se revela a personagem ali escondida. Existem, por exemplo, a Bon Bon, a Glitter, a Luxe, uma das mais disputadas, devido à dificuldade de achá-la. Mais de oitenta variedades estão à venda, fora uma infinidade de acessórios. “Há toda uma expectativa, e o processo é uma euforia sem fim”, destaca a fisioterapeuta Thais Helena Nobre, de 35 anos, mãe de Giovanna e Sophia Santoro, de 8 e 6 anos, alunas do Colégio Santo Inácio e donas de uma coleção com 52 unidades. “A diferença da L.O.L. é que podemos colecioná-la. Quando consegui a Rocker e a Beats, fiquei extremamente feliz. Das nossas amiguinhas, somos as que têm a maior quantidade. E nenhuma é falsa, tá?”, esclarece a irmã mais velha. Aluna da mesma instituição, Vitória Velloso, de 10 anos, guarda em seu quarto dezenove bonecas, boa parte delas arrebanhada no seu aniversário, em novembro, e no Natal. “Além da surpresa, são fofinhas. Dá vontade de ter todas”, comenta a orgulhosa proprietária de exemplares badalados, como a Confetti Pop.

 (Veja Rio/Divulgação)

O que também ajuda a explicar tanto interesse é a popularidade no mundo virtual — impulsionada pelo fenômeno dos vídeos unboxing, que exibem o ato de desembrulhar brinquedos e outros produtos. Uma pesquisa realizada pelo ESPM Media Lab, em parceria com a empresa de dados Stilingue, revelou que 94 produtores de conteúdo do YouTube no Brasil mencionaram a L.O.L. em janeiro deste ano, o que representa um alcance de 22 milhões de pessoas. Entre os vídeos mais vistos estão duas versões publicadas pelo youtuber Luccas Neto, nas quais ele abre várias caixas da bonequinha. Juntos, os filminhos de Neto somam mais de 11 milhões de views. Isso se reflete não só no aumento das vendas. O brinquedo cobiçado tornou-­se também um dos carros-chefe nas festas infantis da Inventando Moda. “É o tema mais disputado, junto com os unicórnios, sobretudo por ser bastante feminino e lúdico”, enfatiza Gabi Duarte, dona da empresa. A exemplo de outras manias, a invenção inspira ainda uma peça de teatro, com apresentações neste fim de semana, no Shopping da Gávea. Com ingressos esgotados na temporada paulistana, as sessões de As Aventuras das Bonequinhas LOL serão precedidas por uma feirinha de troca-troca de exemplares repetidos. Como se vê, muita bola (de L.O.L.) ainda vai rolar.

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