Praça do Lido se torna o paraíso dos bares na Zona Sul

Novos estabelecimentos, três deles abertos no início do ano, reacendem, em versão melhorada, a vocação boêmia da região em Copacabana

Em 2013, durante a 28ª Jornada Mundial da Juventude, construiu-se um grande palco na Praia de Copacabana. O espaço foi preparado para receber o papa Francisco — o principal con­vidado do encontro religioso internacional que trouxe ao Rio 3,7 milhões de peregrinos. Às vésperas do evento, muita gente observou, com razão, que o local escolhido, perto da Praça do Lido, de santo tinha muito pouco. Desde então, a área, conhecida por certa tradição de marginalidade, não foi exatamente do inferninho ao céu, porém ganhou contornos de paraíso dos boêmios mais comportados. Um point movimentado, o Baixo Lido, brotou por lá, tendo como eixo central a Rua Ronald de Carvalho. Pelo menos três novos negócios na via abriram as portas desde o começo do ano, somando-se a vários outros endereços badalados nas redondezas. É o caso do bar Os Imortais, dos primos Fernando Torres Martins e Rômulo Torres Pereira. Atraídos pelo preço do aluguel, eles encontraram por ali uma loja ampla, vazia e com cozinha montada, onde nenhum comércio durava mais de seis meses. Mesmo assim, em 2012, deram a largada no negócio. “No início a gente trazia parentes para fazer figuração, e ficavam espalhados por algumas mesas para parecer que havia movimento”, lembra Rômulo, que hoje se desdobra para dar conta da freguesia atrás de petiscos, cervejas e jogos exibidos na TV.

Surgida dois anos depois, a loja As Melhores Cervejas do Mundo acompanhou o sucesso do vizinho Os Imortais e hoje busca ampliar seu campo de atua­ção. A primeira providência foi esticar o horário de encerramento de 23 horas para 1 hora. “O foco em cervejas especiais continua, mas agora temos música ao vivo às sextas e, em breve, vamos lançar menu assinado por um chef”, conta Bruno Lopes, mestre-­cervejeiro e um dos sócios do estabelecimento. Também foi de Lopes a ideia de, em janeiro, instalar na mesma quadra, do outro lado da rua, o HØC Bar, especializado em coquetelaria. Isso porque no Baixo Lido a concorrência é civilizada. Um exemplo: é comum encontrar pessoas bebendo drinques preparados pela bartender Laura Paravato, do HØC Bar, sentadas às mesas do vizinho de parede Beef & Beer. “Estamos aqui há dois anos e acreditamos que há espaço para todos crescerem juntos”, diz Sergio Duque-Estrada Filho, sócio do segundo ponto. A temporada 2018 na Rua Ronald de Carvalho viu nascer ainda a hamburgueria Mixed — com filial maior do que a matriz, na Rua Belford Roxo — e o Toca Raul, aposta dos donos da antiga Casa Rosa, em Laranjeiras. Para os comerciantes que estão chegando, um bom exemplo é o Seu Vidal, negócio de sanduíches descolado, com móveis de madeira e paredes de cimento queimado. Atento ao agito noturno que vem tomando a rua, o dono, Pedro Vidal, ampliou as opções de tira-­gosto e de bebida alcoólica.

 (Felipe Fittipaldi/Divulgação)

Tanto no Seu Vidal quanto na Tasca Carvalho, logo em frente, a rotina tem sido de casa cheia. Os dois empreendimentos chegaram à Ronald de Carvalho em 2016. No segundo, a influência portuguesa atinge a decoração e o cardápio, repleto de vinhos da terrinha e antepastos típicos. “Nada melhor do que ver gente emocionada ao experimentar nossa comida simples, na calçada”, comemora Marcos Sá, cidadão do Porto e dono do estabelecimento. Claudia Torres e Celso Peixoto exibem orgulho parecido. Moradores dali, eles acompanham a movimentação desde o início. Começaram dando dicas sobre a temperatura do chope aos “meninos dos Imortais” e, hoje, são todos amigos, a ponto de volta e meia viajarem juntos. Seu Vidal e a Tasca também estão entre os prediletos do casal. “Virou meio uma família”, resume Peixoto. Aproveitando a deixa, Nicolas Hader, dono do tradicional restaurante Amir, na Praça do Lido, voltou-se para o público que vem animando as noites da região com a lanchonete Basha, mais perto da praia. Inaugurado em 2017, o reduto de comida árabe funciona até meia-­noite — assim como a Bodega, aberta no mesmo ano. “Por aqui prevalece a lei da boa vizinhança, mas, para organizar questões relacionadas à segurança e ao espaço comum, já marcamos as primeiras reuniões do polo”, conta Fernando Torres Martins, sócio do já veterano Os Imortais. Copacabana agradece, com a bênção de Francisco.

 (Felipe Fittipaldi/Divulgação)

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