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Rafael Mattoso

Por Rafael Mattoso, historiador
Curiosidades sobre o subúrbio carioca
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Um 23 de Abril para celebrar “Nossa Alma Suburbana”

O Dia do Choro se junta à Festa de São Jorge para tomar os trens e ruas da cidade

Por Rafael Mattoso Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 23 abr 2024, 03h45 - Publicado em 22 abr 2024, 17h35

O feijão devidamente catado aguarda de molho, espera para ir ao fogo na maior panela possível, tudo pronto para ser misturado com muita sabedoria e temperos ancestrais. Na noite colorida pela lua cheia, onde quase vemos o dragão, o céu fica ainda mais iluminado pelos fogos e balões. Enquanto isso, as carnes selecionadas se juntam e cozinham lentamente.

Vale destacar que o feijão preto é uma importante herança dos nossos povos originários da América do Sul, assim como a farinha de mandioca, que hoje na forma de farofa acompanha a feijoada, no passado foi adotada como componente básico da alimentação pelos africanos e europeus que vieram para o Brasil.

No Rio de Janeiro, sabemos que o dia 23 de abril é um importante feriado dedicado a São Jorge, mas nesta data também é festejado o Dia Nacional do Choro, um gênero da música brasileira que está intimamente relacionado ao desenvolvimento do Samba, chorinho que acaba de ser reconhecido como Patrimônio Nacional pelo Iphan.

Tudo isso porque foi num dia 23 de abril de 1897 que chegou ao mundo Alfredo da Rocha Vianna Filho, mas conhecido como mestre Pixinguinha. Para comemorar seu nascimento, há mais de uma década ocorre o tradicional Trem do Choro: vagões repletos de chorões e choronas que saem tocando da Central do Brasil, às 11h, com destino a Praça Ramos Figueira.

Este ano, em vez de homenagear um nome de destaque, como já é praxe, o próprio choro é que será celebrado, pois finalmente, no dia 29 de fevereiro de 2024, ele foi reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O embarque no Trem do Choro começará a partir das 10h30, mas a festa terá início mesmo às 9h, em frente ao portão de embarque da Central, com uma grande roda. A chegada na estação de Olaria está prevista para as 11h50, de onde músicos e musicistas, em cortejo, seguirão até o Reduto Pixinguinha. Antes, porém, eles prestarão homenagem ao mestre maior do Choro, na travessa que leva o mesmo nome do gigante de nossa música.

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Arte Dia do Choro
(Divulgação/Arquivo pessoal)

A programação em homenagem ao santo guerreiro é enorme, tanto em caráter público, pelas ruas, praças, igrejas e terreiros, como particular, nas casas, quintais e oratórios. Porém, gostaríamos de deixar algumas sugestões que envolve música, identidade e celebração da nossa suburbanidade. 

O sincretismo de Jorge da Capadócia com o orixá Ogum é uma marca característica dos cariocas, para comprovar na prática essa deliciosa mistura o Bar do Papa, em Cascadura, preparou uma feijoada para matar a fome dos devotos neste feriado. Por falar em devoção, nessa terça-feira a partir das 13h, também teremos no Renascença Clube, do Andaraí, um encontro entre o Terreiro de Criolo e o Jongo da Serrinha, numa grande comunhão.

Uma opção para finalizar um dia tão significativo é assistir o show “Nossa Alma Suburbana”, que se despede de uma incrível temporada pelo projeto Sesc Pulsar. A apresentação começa às 19h no Sesc Tijuca e é baseado no álbum que Cláudio Jorge e Guinga gravaram juntos chamado “Farinha do mesmo saco”, dedicado a amizade e lembranças suburbanas dos dois artistas. 

Depois de terem se apresentado pelos palcos de Campos, Ramos, Niterói, Madureira e São Gonçalo, “Nossa Alma Suburbana” chega agora na Tijuca. Sempre cantando e contando nossa origem suburbana.  Tenho a honra de fazer uma participação especial ao lado de duas feras, incontestáveis referências musicais. Cláudio Jorge do Cachambi e Guinga de Madureira, formam uma amizade de cinquenta anos. Começaram profissionalmente na música na mesma época, quando Guinga era violonista do cantor e compositor João Nogueira e levou Cláudio para ser o contrabaixista da banda.

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Cláudio e Guinga desenvolveram carreiras individuais após os tempos do show, nos anos 70, em que participaram com João Nogueira, Cartola, Roberto Nascimento e Joel Nascimento. Só mais recentemente se reencontraram nas redes sociais, por conta da quarentena da Covid, onde nasceu a ideia de gravarem um disco juntos. O convite ao também suburbano e professor Rafael Mattoso para falar sobre as histórias dos subúrbios, se integrando ao projeto trazendo imagens fotográficas relativas aos bairros da zona norte e oeste do Rio de Janeiro.

Nossa Alma Suburbana é uma declaração de amor não só ao subúrbio do presente e do passado, mas principalmente uma amostra das vivências suburbanas desses três personagens. O roteiro musical do show basicamente é o repertório do disco “Farinha do mesmo Saco”, lançado pela Kuarup, com o acréscimo de outras canções do repertório autoral dos artistas. A produção é feita por Eveline Peixinho, a sonorização pelo Paulinho da Ecosom e a iluminação fica por conta do Baracho.

Cartaz do último show Nossa Alma Suburbana no sesc tijuca
(Divulgação/Arquivo pessoal)

Para quem quiser conhecer mais o projeto:

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