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Otavio Furtado

Por Otavio Furtado, jornalista e consultor de diversidade & inclusão Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
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Basta apenas o pedido de desculpas pela fala homofóbica do Papa?

Pontífice usou termo "viadagem" em reunião com bispos italianos na semana passada

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Atualizado em 29 Maio 2024, 12h17 - Publicado em 29 Maio 2024, 12h16

Desde segunda (27/05) a noite, quando dois jornais italianos divulgaram que o Papa Francisco usou um termo homofóbico durante uma reunião, o assunto se tornou comentado no mundo inteiro. Ontem, em pronunciamento do porta-voz Matteo Bruni, o Vaticano pediu desculpas pela fala homofóbica do Papa. Mas é o suficiente?

Segundo denúncia dos veículos de imprensa o pontífice teria usado o termo “frociaggine”, que pode ser traduzido como “viadagem”, em reunião com bispos italianos no dia 20 de maio. Na ocasião Francisco usou a palavra para dizer aos bispos que não aceitassem padres abertamente gays nos seminários, segundo relato, porque “já existe viadagem de mais”.

Se a fala homofóbica do Papa já merece repulsa, é preciso levar em consideração (e não esquecer) o contexto em que foi dita. Primeiro, há uma indicação que o Vaticano já aceita os padres gays existentes, embora considere em número excessivo. Somado ao fato de que o para a Igreja Católica o Celibato é apenas a renúncia da relação entre homem e mulher, indica que a aceitação é escondida e que não há espaço para novos seminaristas homossexuais.

Uma instrução do instrução do Dicastério do Clero, confirmada em 2016 por Francisco, afirma que “não pode admitir ao seminário e às Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, têm tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiam a chamada cultura gay”. Sim, pasmem, é isso mesmo que está escrito.

Deve-se ressaltar ainda que o pedido de desculpas não foi feito pelo próprio e que em nenhum momento cita o que gerou a fala. Apenas comunica que não teve a “intenção de ofender ou de se expressar em termos homofóbicos”. Ou seja, se desculpa apenas pelo termo usado e não pelo pensamento que o gerou, como se este não fosse a parte mais problemática.

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Há argumentação, inclusive usada pelo porta-voz, que se trata de um pontífice progressista que recentemente deu declarações de apoio a comunidade LGBTQIA+. Contundo a prática discriminatória da Igreja Católica continua ainda sendo forte e a aversão à novos seminaristas gays só comprova que não há de fato uma mudança estrutural de pensamento.

Para finalizar ainda foi dito que o Papa “estende as suas desculpas àqueles que se sentiram ofendidos”, colocando a problemática do termo homofóbico em como a vítima o interpretou e não da maneira como de fato foi utilizado. Lamentável!

O Vaticano perde, assim, mais uma oportunidade de se ajustar aos avanços de inclusão que estão evoluindo no mudo inteiro e de usar uma linguagem apropriada até mesmo para se desculpar por uma fala do líder principal da Igreja Católica.

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