Camila Farani fala dos prazeres e dificuldades da maternidade homoafetiva
Empresária mostra o cotidiano da sua família nas redes sociais para normalizar a dupla maternidade

Quando anunciou ano passado a chegada do primeiro filho com a esposa Tula Tavares, Camila Farani começava a trazer o assunto da maternidade homoafetiva não só para seu dia, mas também para as redes sociais. Desde então compartilhou muitas descobertas, prazeres, mas também dificuldades de todo o processo.
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“Queria ser mãe já há alguns anos e dei uma protelada porque comecei a focar muita na minha carreira. Até que encontrei a pessoa certa, com quem queria construir uma família”, explica a empresária que ficou conhecida por ser uma “tubarão” do Shark Tank Brasil.
Este foi o primeiro desafio da maternidade, entender o momento certo para realizar o sonho. Ela e Tula chegaram ao consenso de adaptar o trabalho de forma que as duas pudessem revezar nos cuidados da criação do filho Lucca. “É importante dizer que coloquei metas na minha vida para culminar nesse momento que pude ter uma maternidade mais tranquila”, explica.
A escolha do método – reprodução assistida – sempre foi consenso entre o casal, mas Camila conta que tiveram sorte de Tula engravidar na primeira tentativa. Ainda lembrou que ela mesmo tinha tentado antes, quando estava com o ex-marido, sem sucesso. Por isso faz questão de enfatizar que esse processo é algo que pode ser desgastante e doloroso, gerando frustração a cada tentativa que não é bem sucedida.

No caso de maternidade homoafetiva outras dificuldades aparecem no processo. É o caso do registro da criança, que tem uma burocracia maior, além da dificuldade no acesso a informação. “Eu pensei até pra conseguir informação. Os próprios cartórios não sabiam como dar a informação”, lembra Camila. E mesmo quando achou um que acolheu melhor, enfrentou o fato do registro constar ainda nome do pai e da mãe, sem espaço para outros perfis familiares.
São exatamente por esses desafios a mais na dupla maternidade que a empresária decidiu usar sua visibilidade para trazer o tema a tona em entrevistas e redes sociais. “Usar nossas vozes é muito válido para que isso se torne comum cada vez mais”, comenta. Mas nem sempre é fácil e enfrentar os haters é algo cotidiano. “Mas combinei comigo mesma, com ajuda da terapia, que não ficaria ruminando esse comentários”, explica como lida com a situação.
O propósito para seguir na batalha de falar sobre o tema é simples: também ser uma forma de apoio para outros casais homoafetivos que desejam se tornar mães ou pais. Nesse sentido Camila destaca a rede de apoio que encontraram. “Primeiro porque você encontra pessoas com o mesmo objetivo e se sente parte de alguma coisa. Se não for na família, com certeza tem em outros lugares. O que não pode é você se achar uma pessoal anormal por conta disso. Isso acontece muito por parte da sociedade, de religião. E a pior coisa é se sentir que não faz parte de algo”, finaliza.