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Luciana Brafman

Por Luciana Brafman, jornalista e professora da PUC-Rio
Economia, finanças pessoais e comportamento financeiro até pra quem não gosta
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Do Milagre Econômico à esperança das urnas

Juros, inflação e infraestrutura ainda são gargalos ao crescimento no Brasil

Por Luciana Brafman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
20 jan 2022, 18h16

Janeiro de 1972. O então ministro Delfim Netto acertava com os bancos uma redução nos juros. No Planejamento, Reis Veloso costurava uma estratégia de aumentar o comércio com o Japão, com a meta de alcançar US$ 1 bilhão até o fim da década de 1970. Investidores americanos aportaram no Brasil para “sondar” possibilidades de negócios na Amazônia. Em uma manchete de jornal, destacava-se a notícia de que a tarifa telefônica teria um aumento de 33%. No verão quente e úmido do Rio de Janeiro, o governo planejava a circulação de ônibus com ar condicionado.

Cinquenta anos depois, o mundo está bem diferente. No entanto, tal qual o verão quente e úmido do Rio de Janeiro, muitos dos gargalos econômicos parecem resistir no Brasil, como juros, inflação e infraestrutura. Se adicionarmos a questão fiscal e o PIB, os cenários até que não pareceriam tão distintos. Mas são.

O PIB de cinco décadas atrás galopava em um ritmo forte e fechou 1972 em 11,9%, um percentual prá lá de chinês, bem acima do pífio 0,5% esperado para 2022. O ano de 72 é parte do que chamamos de Milagre Econômico, um período com taxas médias de crescimento elevadas – mas com alta na concentração de renda e elevação da dívida como heranças indesejadas. A inflação girava ao redor de 15%, acima dos 10% registrados agora em 2021, só que era comemorada, pois estava em trajetória de queda naquele momento – mas prestes a explodir em forma hiperinflação a partir dos anos 1980. Tipo “Milagre Cinderela”, com hora pra terminar…

Uma das diferenças cruciais nessa linha do tempo de meio século de duração está, sem dúvida, na órbita política. Não havia democracia no Brasil, os anos eram de chumbo, com repressão e censura. Em 1972, o presidente da República, o terceiro da ditadura militar, era Emílio Garrastazu Médici, o do “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Eleições à vista? Voto direto? Liberdade de expressão? Nem pensar.

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Embora conturbadíssima, a cena política de hoje é democrática. Portanto, neste ano de 2022 que está apenas começando, o voto consciente poderá fazer toda a diferença na paralisia econômica. Ao escolher o novo governo, cada eleitor deve avaliar e comparar programas econômicos, planejamentos de longo prazo, metas para saúde, educação e melhoria da qualidade de vida da população. Em resumo, plataformas eleitorais explícitas com o objetivo de desenhar um projeto de país.

Temos meses pela frente para, com vontade política e participação da sociedade, realizar um debate mais técnico e concreto, de propostas factíveis, que contemplem o real interesse da nação. Até agora, me parece que a discussão não avançou nesse sentido, e o foco permanece nas polêmicas ao redor da polarização, com extremismos e desinformação circulando a toda velocidade.

Janeiro de 1972 é também o mês em que completo 50 anos de idade. E, já que espero viver pelo menos mais 50, na hora do bolo vou direcionar um dos desejos que me cabem justamente às urnas de outubro, torcendo para que os votos de milhões de brasileiros revelem nomes comprometidos com o futuro sustentável do país. Afinal, a essa altura das nossas vidas – minha e do Brasil – fica chato acreditar em milagres econômicos.

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