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Luciana Brafman Por Luciana Brafman, jornalista e professora da PUC-Rio Economia, finanças pessoais e comportamento financeiro até pra quem não gosta

A verdadeira tolice em torno das criptomoedas 

Por trás da declaração polêmica de Bill Gates, uma questão: você sabe em que está investindo e por quê? 

Por Luciana Brafman 20 jun 2022, 12h53

Conhece o Jogo do Mico? Bill Gates, fundador da Microsoft, parece conhecer. Ele causou polêmica ao afirmar, durante um evento em Berkeley, na Califórnia, que as transações com criptomoedas e NFTs (tokens digitais) são 100% baseadas na Teoria do Mais Tolo. A Teoria do Mais Tolo é tipo o Jogo do Mico, onde o perdedor é quem não consegue passar adiante a carta do baralho com a figura de um macaquinho, a única carta sem um par na brincadeira. Coincidência ou não, entre os alvos da crítica de Gates está uma famosa coleção de arte digital, limitada a 10 mil peças únicas, que traz as figuras justamente de um macaco. Essas imagens têm sido negociadas por milhares de dólares.

Considerando-se o conceito do Mais Tolo no mercado financeiro, as perdas não costumam ser brincadeira de criança. O dinheiro investido, em alguns casos, infla bolhas até que estouram, cedo ou tarde. Nessa hora, resta torcer para você não estar com o mico em mãos. Ou, melhor, ter a consciência de não entrar nessas furadas.

A crise das Tulipas, na Bolsa de Valores de Amsterdam, no século XVII, é considerada a primeira bolha especulativa da história. A flor, trazida da Turquia e posteriormente cultivada nos Países Baixos, era tão apreciada, que seus bulbos começaram a valer o equivalente a terras ou propriedades. Contratos futuros deram o tom das negociações, até que investidores resolveram vender e embolsar o lucro com as flores. Em resumo, em pouco tempo os preços despencaram. Tulipas voltaram a ser apenas tulipas. Lindas e vistosas, mas tulipas.

Retornando ao século XXI, Gates disse que o mercado de criptos e NFTs funciona apenas dessa forma, ou seja, os investidores compram caro os ativos e lucram vendendo ainda mais caro para outro investidor – sem que haja um “valor real” nesse processo, e a maioria das pessoas não se dá conta. Até perder dinheiro.

Tanto no jogo quanto na vida, é preciso conhecer as regras. Entender o que são criptomoedas, para que servem, por que surgiram, suas vantagens e desvantagens, e por aí vai. Tudo isso é fundamental no momento de investir.

As criptomoedas foram criadas no contexto da utópica internet livre, para serem a base de um sistema monetário independente, de finanças descentralizadas, com segurança e eficiência para seus adeptos. Com o tempo, surgiram questões políticas internas nesse novo ecossistema, vieram à tona os problemas do anonimato e do financiamento de atos ilícitos, bem como as polêmicas decorrentes da conexão com o sistema monetário tradicional. Gates e outros gurus da economia vêm, há tempos, se manifestando contra o mundo cripto. Do outro lado, claro, estão os adeptos de bitcoins e afins, gênios muitas vezes adolescentes e bilionários, que defendem o modelo com unhas, dentes e manifestos.

Lembrando que ambos os lados têm interesses, só o tempo dirá quem tem razão. Mas, enquanto isso, como fica o investidor? Muitos dos que investem não têm a menor noção de em que exatamente estão investindo e, assim mesmo, vão na onda da manada. Formam, segundo Gates, essa cadeia dos tolos, uma foolchain…

Entender minimamente onde você coloca seu dinheiro não é apenas recomendado. É uma obrigação. Não precisa ser um especialista para isso; há, hoje em dia, material de sobra para buscar informações ou assessoria sobre o tema. Os criptoativos são uma entre tantas opções de investimentos, como as ações, os fundos, os CDBs, o mercado imobiliário, a poupança etc. Todos os produtos carregam seus cenários de risco e retorno, adequados ou não ao seu perfil ou aos seus objetivos.

Em momentos como o atual, de inflação elevada, estamos assistindo despencar as criptos e as “não criptos”… Quando imperam incertezas e volatilidade, nem sempre somos bem sucedidos em nossos investimentos. Isso, porém, não é tolice. Tolice é entregar seu dinheiro às cegas, sem saber em que exatamente você está investindo.

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