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Fernanda Torres Por Blog Blog da atriz Fernanda Torres

Rotina

Aconteceu de novo. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, em frente ao local onde o médico Jaime Gold foi esfaqueado, três assaltantes aguardavam a próxima vítima. Dia claro, tarde de sol, a menina pedalava na calçada quando o bando de profissas deu ordem para que ela descesse da bicicleta. O mais calmo e bem-vestido liderou a […]

Por fernanda Atualizado em 25 fev 2017, 17h56 - Publicado em 21 ago 2015, 20h49

Ilustracao

Aconteceu de novo.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, em frente ao local onde o médico Jaime Gold foi esfaqueado, três assaltantes aguardavam a próxima vítima. Dia claro, tarde de sol, a menina pedalava na calçada quando o bando de profissas deu ordem para que ela descesse da bicicleta.

O mais calmo e bem-vestido liderou a operação. Irritado com o nervosismo dos comparsas, mandou que os dois desaparecessem com o objeto do roubo e ficou a sós com a mocinha.

Elegante, ordenou que ela caminhasse ao seu lado e digitasse a senha para resetar o celular. A menina obedeceu às instruções e entregou o aparelho. Tudo muito civilizado. O único instante de aspereza se deu no fim da ação, com o alerta de que eles voltariam para pegá-la, caso a polícia fosse avisada.

Nota 10 em planejamento.

Acabou assim, com a guria para um lado e o ladrão para o outro. Mais um dia de rotina na Lagoa Rodrigo de Freitas. Um assalto classe A, feito por peritos e sem violência física. É assim que deve ser.

Apesar da tremedeira, a moça concluiu que era uma pessoa de sorte.

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O lugar, repito, é o mesmo onde Jaime Gold sangrou até morrer. Um ponto cego de visão, em frente a uma via expressa, que motiva os assaltantes a agir impunemente.

Depois da tragédia de maio, uma joaninha fez ponto no local. Na grade da ciclovia, alguém amarrou uma bicicleta em memória do morto, passantes depositaram flores e escreveram mensagens de protesto.

As homenagens continuam lá, mas a patrulha já não marca presença com tanta frequência. Os larápios mais experientes já perceberam que a ronda afrouxou e, aos poucos, voltam a bater ponto na esquina de sempre.

Não demora, bandidos menos educados voltarão a perfurar as vítimas.

O roubo de uma bicicleta não é nada perto da chacina de dezoito pessoas numa madrugada em São Paulo, ou da apreensão de armas de guerra nas favelas do Rio. Mas o medo de andar na rua, qualquer rua, de qualquer bairro, em qualquer cidade do país, é a prova cotidiana da falência da segurança pública.

Eu tenho imenso respeito por José Mariano Beltrame. O secretário traçou um plano de ocupação territorial, ciente de que a pacificação só estaria completa se o poder público, depois das forças de segurança, investisse em saneamento, saúde, lazer, transporte e educação. Com a crise econômica e o encolhimento dos recursos dos estados, o projeto fica ainda mais distante.

Chega a ser obsceno pedir mais policiamento na Zona Sul da cidade, mas a região tem um significado emblemático, assim como o local onde um ciclista foi brutalmente assassinado por um grupo de delinquentes.

Em respeito a Jaime Gold, em nome dos milhares de frequentadores da Lagoa Rodrigo de Freitas e na esperança de que um novo assassinato não volte a ocorrer, venho por meio desta pedir a instalação de um posto policial junto aos cartazes, às flores e à bicicleta que permanecem ali.

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